*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, de 57 anos e filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), enfrenta o Tribunal do Júri nesta terça-feira, dia 21 de julho, no Fórum de Cuiabá. Réu confesso, ele responde pelos assassinatos da ex-companheira, a servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) Thays Machado, de 44 anos, e do namorado dela, o empresário paulista Willian César Moreno, de 30 anos.

O julgamento, que atrai grande atenção da opinião pública e da imprensa, é presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira e conta com a deliberação do conselho de sentença formado pelos jurados.
ESTRATÉGIA DA DEFESA E ENTREVISTA A IMPRENSA
Na manhã de hoje, antes da abertura oficial dos trabalhos no Tribunal do Júri, a defesa de Carlinhos Bezerra, por meio do advogado Elson Marcelino, concedeu uma entrevista à imprensa para detalhar a linha de argumentação que será adotada no plenário.
Os advogados afirmaram que a principal estratégia jurídica girará em torno da alegação de cerceamento de defesa. A defesa insiste na necessidade de realização de um exame de sanidade mental no acusado, sustentando que o comportamento de Carlinhos tem demonstrado “excesso”. Segundo os defensores, há nos autos um laudo particular de 580 páginas, assinado por um perito renomado no país, que indicaria a necessidade da avaliação psiquiátrica.
Além disso, a defesa alegou dificuldades técnicas e operacionais para analisar o volume de provas, afirmando que receberam recentemente um dispositivo de armazenamento com 109 gigabytes contendo documentos, vídeos e anotações, material que, segundo eles, seria impossível de ser avaliado tecnicamente no prazo de sete dias.
Mesmo com os reiterados pedidos de adiamento e acesso a novos cadernos processuais apresentados ao longo da última semana e na véspera do julgamento, segunda-feira, 20 de julho, quatro recursos protocolados pela defesa foram sumariamente rejeitados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pela Justiça estadual, abrindo caminho para a realização do júri. O trânsito em julgado de recursos anteriores já havia sido certificado pelo STJ em julho do ano passado, devolvendo o processo à primeira instância.
ACUSAÇÃO APONTA VINGANÇA E CIÚMES
Do outro lado, a acusação sustenta que os crimes foram motivados por sentimento de posse, ciúmes e vingança devido ao término do relacionamento com Thays Machado, ocorrido em 2022. Os advogados que atuam na acusação enfatizam o histórico de vigilância e perseguição que a vítima sofria por parte do ex-companheiro.
Carlinhos Bezerra vai a julgamento respondendo por duplo homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, perigo comum, de surpresa e que impossibilitou a defesa das vítimas, além da qualificadora de feminicídio em relação à morte de Thays Machado.
A EXECUÇÃO DO CRIME EM JANEIRO DE 2023
O duplo homicídio chocou a sociedade mato-grossense no dia 18 de janeiro de 2023. O crime ocorreu em plena luz do dia, em frente ao Edifício Solar Monet, localizado no bairro Consil, em Cuiabá.
Thays e Willian haviam acabado de deixar um veículo na garagem do prédio, onde morava a mãe da servidora pública, e aguardavam a chegada de um carro por aplicativo na calçada. Eles foram surpreendidos por Carlinhos Bezerra, que chegou ao local conduzindo um veículo. O empresário desembarcou e efetuou vários disparos de arma de fogo contra o casal.
De acordo com os laudos da Politec, Thays Machado foi atingida por três tiros, sendo dois nas costas e um no quadril, morrendo ainda no local. Willian César Moreno foi baleado no braço esquerdo e no peito. Ele ainda tentou correr para escapar da execução, mas caiu na calçada e não resistiu aos ferimentos.
Preso preventivamente desde a época do crime, Carlinhos Bezerra permanece detido.
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Vídeo: Midia News

