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Leia: Mauro Campbell rejeita pedidos para anular decisões de desembargador investigado em Mato Grosso por suposta venda de sentenças
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21 de outubro de 2026 21:26

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Justiça

Mauro Campbell rejeita pedidos para anular decisões de desembargador investigado em Mato Grosso por suposta venda de sentenças

Jornalista Mauad
Publicado em: 12 de junho de 2026
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4 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, determinou o arquivamento de três procedimentos disciplinares contra o desembargador João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

O magistrado está afastado das funções desde agosto de 2024, após investigações apontarem suposta participação dele em um esquema de venda de sentenças judiciais em Cuiabá.

Os pedidos de providências e reclamações arquivados tomavam como base as revelações extraídas do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, na capital mato-grossense. No entanto, o corregedor nacional entendeu que os pedidos específicos buscavam, por vias administrativas, a reforma de decisões judiciais, o que é vedado pelas normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Decisões judiciais, sob o manto do livre convencimento, são intangíveis pela via administrativa, salvo situações excepcionais em que se demonstre a má-fé do membro do Poder Judiciário, o que não se pode inferir pela narrativa apresentada”, registrou o ministro Mauro Campbell Marques nas decisões.

DISPUTA DE R$ 300 MILHÕES E DUPLICIDADE DE FATOS

Uma das reclamações arquivadas envolvia uma complexa ação agrária na qual o desembargador participou do julgamento. Na ocasião, o magistrado reconheceu a posse de uma valiosa área rural avaliada em R$ 300 milhões. A parte autora da representação alegava que o grupo beneficiado havia utilizado documentos falsos no processo e pedia a revisão da decisão de origem.

Ao analisar o caso, o ministro Campbell observou que os fatos centrais relacionados à conduta do magistrado nessa disputa fundiária já estão sendo rigorosamente analisados em outras reclamações disciplinares em tramitação no CNJ. Dessa forma, o arquivamento também evitou a duplicidade de investigações sobre os mesmos fatos.

INDENIZAÇÃO CONTRA MONTADORA E PEDIDO DE QUEBRA DE SIGILO

O segundo procedimento arquivado foi protocolado pelo espólio de uma família cujos membros morreram em um grave acidente automobilístico, seguido de explosão e incêndio do veículo. O processo discutia uma ação indenizatória movida contra a fabricante General Motors (GM) do Brasil.

A ação acabou extinta pelo TJMT sob o argumento de prescrição do pedido, decisão que se consolidou após um voto divergente liderado justamente por João Ferreira Filho. No CNJ, a defesa da família alegava severas contradições no acórdão e chegou a requerer a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do magistrado. O ministro, contudo, reiterou a impossibilidade de usar o órgão administrativo para reverter o mérito da decisão judicial.

O terceiro procedimento rejeitado foi proposto pela empresa Asbylt Construção Civil Ltda., que contestava um julgamento que a condenou ao pagamento de indenização pelo uso de uma área rural que possuía restrições em razão de interesse indígena.

DESEMBARGADOR CONTINUA AFASTADO E RESPONDE A PAD E AÇÃO PENAL

Apesar do arquivamento destes três procedimentos específicos, a situação jurídica do desembargador João Ferreira Filho permanece delicada. Ele continua formalmente afastado das funções no TJMT e responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), instaurado pelo CNJ em agosto de 2024, que tramita sob estrito sigilo.

As investigações principais apontam que o magistrado teria recebido recursos financeiros e vantagens indevidas por meio de empresas ligadas ao falecido advogado Roberto Zampieri. Entre as suspeitas estão o recebimento de repasses em dinheiro que somam R$ 500 mil e presentes de alto valor, como um relógio de luxo da marca suíça Patek Philippe.

Além do processo administrativo no CNJ, João Ferreira Filho é investigado na esfera criminal por suposta participação no esquema de corrupção e venda de decisões que é alvo da Operação Sisamnes, procedimento que corre sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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