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Leia: Mauro Campbell rejeita pedidos para anular decisões de desembargador investigado em Mato Grosso por suposta venda de sentenças
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Mauro Campbell rejeita pedidos para anular decisões de desembargador investigado em Mato Grosso por suposta venda de sentenças
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12 de junho de 2026 12:51

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OpiniãoMT > Blog > Justiça > Mauro Campbell rejeita pedidos para anular decisões de desembargador investigado em Mato Grosso por suposta venda de sentenças
Justiça

Mauro Campbell rejeita pedidos para anular decisões de desembargador investigado em Mato Grosso por suposta venda de sentenças

última atualização: 12 de junho de 2026 11:28
Jornalista Mauad
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4 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, determinou o arquivamento de três procedimentos disciplinares contra o desembargador João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

O magistrado está afastado das funções desde agosto de 2024, após investigações apontarem suposta participação dele em um esquema de venda de sentenças judiciais em Cuiabá.

Os pedidos de providências e reclamações arquivados tomavam como base as revelações extraídas do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, na capital mato-grossense. No entanto, o corregedor nacional entendeu que os pedidos específicos buscavam, por vias administrativas, a reforma de decisões judiciais, o que é vedado pelas normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Decisões judiciais, sob o manto do livre convencimento, são intangíveis pela via administrativa, salvo situações excepcionais em que se demonstre a má-fé do membro do Poder Judiciário, o que não se pode inferir pela narrativa apresentada”, registrou o ministro Mauro Campbell Marques nas decisões.

DISPUTA DE R$ 300 MILHÕES E DUPLICIDADE DE FATOS

Uma das reclamações arquivadas envolvia uma complexa ação agrária na qual o desembargador participou do julgamento. Na ocasião, o magistrado reconheceu a posse de uma valiosa área rural avaliada em R$ 300 milhões. A parte autora da representação alegava que o grupo beneficiado havia utilizado documentos falsos no processo e pedia a revisão da decisão de origem.

Ao analisar o caso, o ministro Campbell observou que os fatos centrais relacionados à conduta do magistrado nessa disputa fundiária já estão sendo rigorosamente analisados em outras reclamações disciplinares em tramitação no CNJ. Dessa forma, o arquivamento também evitou a duplicidade de investigações sobre os mesmos fatos.

INDENIZAÇÃO CONTRA MONTADORA E PEDIDO DE QUEBRA DE SIGILO

O segundo procedimento arquivado foi protocolado pelo espólio de uma família cujos membros morreram em um grave acidente automobilístico, seguido de explosão e incêndio do veículo. O processo discutia uma ação indenizatória movida contra a fabricante General Motors (GM) do Brasil.

A ação acabou extinta pelo TJMT sob o argumento de prescrição do pedido, decisão que se consolidou após um voto divergente liderado justamente por João Ferreira Filho. No CNJ, a defesa da família alegava severas contradições no acórdão e chegou a requerer a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do magistrado. O ministro, contudo, reiterou a impossibilidade de usar o órgão administrativo para reverter o mérito da decisão judicial.

O terceiro procedimento rejeitado foi proposto pela empresa Asbylt Construção Civil Ltda., que contestava um julgamento que a condenou ao pagamento de indenização pelo uso de uma área rural que possuía restrições em razão de interesse indígena.

DESEMBARGADOR CONTINUA AFASTADO E RESPONDE A PAD E AÇÃO PENAL

Apesar do arquivamento destes três procedimentos específicos, a situação jurídica do desembargador João Ferreira Filho permanece delicada. Ele continua formalmente afastado das funções no TJMT e responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), instaurado pelo CNJ em agosto de 2024, que tramita sob estrito sigilo.

As investigações principais apontam que o magistrado teria recebido recursos financeiros e vantagens indevidas por meio de empresas ligadas ao falecido advogado Roberto Zampieri. Entre as suspeitas estão o recebimento de repasses em dinheiro que somam R$ 500 mil e presentes de alto valor, como um relógio de luxo da marca suíça Patek Philippe.

Além do processo administrativo no CNJ, João Ferreira Filho é investigado na esfera criminal por suposta participação no esquema de corrupção e venda de decisões que é alvo da Operação Sisamnes, procedimento que corre sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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