*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O deputado estadual Júlio Campos (União) negou que haja desentendimento com o senador Jayme Campos (União), sobre o futuro eleitoral do parlamentar e defendeu abertamente a antecipação da escolha do nome de Jayme para disputar o Palácio Paiaguás nas eleições de outubro.
A movimentação de Júlio faz coro a uma forte ala partidária, “grupo pró-Jayme”, composta por prefeitos, vereadores e pelos deputados estaduais Sebastião Rezende e Dilmar Dal’Bosco. Este bloco pressiona para que a definição do pré-candidato ocorra ainda neste mês de junho, rompendo a tradição da sigla de arrastar o mistério até o prazo limite das convenções, em 5 de agosto.
Para justificar a pressa, Júlio Campos apontou questões estratégicas e logísticas, alertando que o tempo curto pode inviabilizar a organização de uma campanha majoritária robusta. Ele revelou, inclusive, que o irmão já possui estrutura engatilhada para o embate nas urnas.
“É falta de tempo, até você contratar uma equipe de trabalho. Todos os candidatos já têm sua equipe. O senador Jayme Campos já tem a equipe de marketing montada, de pesquisa, mas precisa consolidar isso. No caso, Jayme Campos é o único pretendente a disputar o governo, e ao Senado é o Mauro Mendes. Eu acho que nesse caso tem um consenso. Não precisa disputa porque só tem um candidato”, cravou o deputado.
Júlio minimizou a necessidade de uma disputa interna acirrada no período de julho.
“Convenção é quando tem dois ou três candidatos disputando e faz uma votação secreta, se necessário. Mas eu acredito que estamos chegando a um acordo interno, no sentido de fazermos uma chapa única e completa”, emendou.
Apesar do otimismo de Júlio, a proposta de realizar uma “pré-convenção” para chancelar Jayme Campos ainda neste mês precisa passar pelo crivo do presidente estadual da sigla, o ex-governador Mauro Mendes, ele próprio o pré-candidato natural do partido ao Senado Federal.
A antecipação desejada pelo grupo de Jayme esbarra em dois grandes nós políticos. O União Brasil faz parte de uma federação partidária com o Progressistas (PP), o que significa que qualquer decisão majoritária para o Governo do Estado precisa ser formalmente avalizada e homologada em conjunto pelas siglas aliadas.
O maior entrave está na ala ligada diretamente a Mauro Mendes. O grupo do ex-governador já anunciou publicamente o apoio à pré-candidatura de reeleição do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

