O médico americano, o Dr. Anthony S. Fauci, voltou ao centro do debate político nos Estados Unidos após comparecer a uma audiência no Senado e optar por não responder aos questionamentos de parlamentares republicanos, recorrendo ao direito constitucional de não produzir provas contra si mesmo. A decisão ocorreu em meio a acusações relacionadas à condução da resposta à pandemia de Covid-19 e reacendeu discussões sobre investigações envolvendo o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID).
Fauci recorreu à Quinta Emenda durante audiência
O imunologista Anthony Fauci compareceu ao Comitê de Segurança Interna do Senado norte-americano, dominado por parlamentares republicanos, mas preferiu permanecer em silêncio diante da maioria das perguntas apresentadas pelos senadores.
Durante aproximadamente três horas de audiência, Fauci repetiu inúmeras vezes que, seguindo orientação de sua defesa, exerceria os direitos garantidos pela Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos. O dispositivo constitucional assegura que qualquer cidadão possa se recusar a responder perguntas quando entender que suas declarações possam resultar em autoincriminação.
A estratégia jurídica fez com que praticamente todos os questionamentos formulados pelos integrantes da comissão permanecessem sem resposta.
Declaração de Trump sobre o silêncio de Fauci
Após a audiência, o presidente Donald Trump foi questionado sobre a decisão de Fauci de recorrer ao direito constitucional de permanecer em silêncio.
Segundo Trump, a escolha foi consequência da orientação recebida pelo médico de seus advogados. O presidente afirmou que não seria possível avaliar se a estratégia foi a melhor alternativa, observando que havia perguntas que poderiam ter sido respondidas normalmente, enquanto outras talvez gerassem desconforto jurídico para o ex-conselheiro de saúde.
As declarações demonstraram um tom mais contido em comparação com críticas anteriores dirigidas ao médico durante e após a pandemia.
Trump também voltou a comentar sua relação profissional com Anthony Fauci durante o período em que ocupou a Presidência.
O presidente declarou que, apesar de Fauci integrar sua equipe de especialistas em saúde pública, nem sempre seguia suas recomendações e afirmou que o médico não exercia influência determinante em suas decisões de governo.
Ao mesmo tempo, Trump reconheceu que uma eventual tentativa de responsabilização criminal relacionada a fatos anteriores teria limitações jurídicas em razão do perdão concedido pelo então presidente Joe Biden.
Perdão presidencial concedido por Biden
Nos momentos finais de seu mandato, Joe Biden assinou um indulto preventivo em favor de Anthony Fauci.
A medida buscava proteger o cientista de eventuais processos relacionados a atos praticados antes de 20 de janeiro de 2025, data em que o benefício foi concedido.
Entretanto, o alcance do perdão possui limites temporais. Especialistas apontam que qualquer suposto fato ocorrido após essa data não estaria automaticamente coberto pelo indulto presidencial.
Esse aspecto ganhou relevância durante a audiência no Senado, uma vez que parlamentares republicanos levantaram a possibilidade de investigar se Fauci teria prestado declarações falsas ao Congresso em ocasiões anteriores.
Republicanos avaliam novas medidas no Senado
Ao longo da sessão, integrantes republicanos mantiveram críticas à atuação de Fauci durante a crise sanitária provocada pela Covid-19.
Os parlamentares sustentaram questionamentos sobre decisões tomadas ao longo da pandemia e também levantaram suspeitas relacionadas a depoimentos prestados anteriormente pelo ex-diretor do NIAID.
O presidente da comissão, senador Rand Paul, anunciou que o colegiado deverá analisar, na semana seguinte, a possibilidade de votar uma medida para declarar Fauci em desacato ao Congresso em razão da recusa em responder às perguntas formuladas durante a audiência.
Antes do encerramento dos trabalhos, Paul fez uma declaração direcionada ao médico, questionando se suas ações teriam contribuído para o surgimento da maior pandemia causada pelo homem. Após a manifestação, encerrou oficialmente a sessão.
Saída sob escolta
Com o fim da audiência, Anthony Fauci deixou o plenário sem conceder entrevistas ou fazer declarações adicionais à imprensa.
O ex-conselheiro do governo norte-americano foi escoltado por agentes de segurança ao deixar o Senado, encerrando uma sessão marcada por forte tensão política e por acusações relacionadas à gestão da pandemia.

