*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Operação Replay, deflagrada na última quinta-feira, dia 30 de julho de 2026, pela Polícia Civil de Mato Grosso, através da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), continua revelando detalhes sobre a estrutura e os alvos do esquema de organização criminosa e lavagem de capitais. Entre os suspeitos detidos e investigados na nova fase da ofensiva, que dá continuidade às operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, figuram nomes de destaque em diferentes setores, incluindo uma advogada e influenciadora digital, um assessor parlamentar e um jogador de futebol amador.
OS ALVOS IDENTIFICADOS
As investigações conduzidas pela Draco apontam o envolvimento de perfis diversificados dentro da rede criminosa, encarregados de dar aparência lícita a capitais ilícitos e ocultar patrimônios incompatíveis com suas rendas declaradas. Entre os alvos que vieram a público estão Dayana Karol Moreira, advogada e influenciadora digital, Brunno Passos da Silva, assessor parlamentar lotado na Câmara Municipal de Cuiabá. Vinculado ao gabinete do vereador Jefferson Siqueira (PSD), Brunno havia sido contratado em janeiro e recebia um salário de R$ 2,5 mil mensais, valor que contrasta com as movimentações e o escopo patrimonial investigado pela polícia. Além de Alex Júnior, jogador de futebol amador, também apontado como peça dentro do esquema investigado pela Polícia Civil.
DIMENSÕES DA OPERAÇÃO
A Operação Replay mobilizou forças de segurança simultaneamente em Cuiabá e Várzea Grade (MT), Balneário Camboriú e Itapema (SC), e no Rio de Janeiro (RJ), cumprindo ordens judiciais de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão e sequestro de bens.

O desmonte do aparato financeiro e imobiliário impressiona pelos valores: a Justiça determinou o bloqueio de contas de até R$ 15.324.000,00 e o sequestro de bens avaliados em aproximadamente R$ 17,28 milhões. No total, as medidas restritivas ultrapassam a marca de R$ 32,6 milhões.

Entre os bens confiscados pelas autoridades estão imóveis de alto luxo, como um apartamento de R$ 3 milhões em Itapema (SC), dois imóveis de R$ 6 milhões cada (um apartamento em Balneário Camboriú e uma residência em condomínio fechado na mesma região), além de uma casa de R$ 1,5 milhão em Cuiabá, terrenos e veículos de luxo.
COMANDO DE DENTRO DO CÁRCERE
Conforme os relatórios técnicos da Draco estruturados a partir de análises telemáticas, a organização criminosa mantinha suas operações ativas mesmo com a liderança principal já presa. O chefe do esquema continuava emitindo ordens financeiras e disciplinares de dentro da prisão, utilizando esquemas como a troca constante de chips telefônicos, um mesmo chip chegou a ser alternado em sete aparelhos diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026.

