A musculação pode estar relacionada a benefícios que vão além do ganho de massa muscular e da melhora estética. Uma pesquisa publicada no British Journal of Sports Medicine analisou dados de quase 150 mil adultos acompanhados por cerca de 30 anos e identificou uma associação entre a prática de treinamento de força e menores riscos de mortalidade por diferentes causas.
Musculação e redução do risco de morte
De acordo com os resultados do estudo, adultos que realizavam entre 90 e 120 minutos de treinamento de força por semana apresentaram um risco 13% menor de morrer prematuramente por qualquer causa, em comparação com aqueles que não praticavam esse tipo de atividade.
Na mesma faixa de duração semanal, os pesquisadores observaram outras associações relevantes. O risco de morte por doenças cardiovasculares foi 19% menor, enquanto a redução chegou a 27% para doenças neurológicas, grupo que inclui enfermidades como a doença de Alzheimer.
Os dados reforçam a importância da atividade física como parte de um estilo de vida ativo, embora os pesquisadores não tenham estabelecido uma relação direta de causa e efeito entre a musculação e a redução da mortalidade.
Estudo acompanhou participantes por décadas
A pesquisa utilizou informações de aproximadamente 150 mil pessoas, acompanhadas durante um período próximo de três décadas. Os pesquisadores avaliaram a quantidade de tempo semanal dedicada ao treinamento de força e compararam esses dados com diferentes resultados relacionados à mortalidade.
Por se tratar de um estudo observacional, os resultados indicam associações identificadas entre os hábitos dos participantes e os desfechos analisados. Esse tipo de pesquisa não permite afirmar, isoladamente, que a prática de musculação tenha sido responsável pela diminuição dos riscos observados.
Mais exercício não significa necessariamente mais benefício
Outro ponto destacado pela pesquisa é que o aumento do tempo dedicado ao treinamento de força não produziu uma redução contínua do risco de morte. Para a mortalidade por todas as causas, os melhores resultados foram registrados entre aqueles que realizavam quantidades moderadas de exercícios.
Segundo a análise, ultrapassar 120 minutos semanais de musculação não esteve relacionado a uma vantagem adicional na mortalidade geral. Isso não significa que períodos superiores sejam necessariamente prejudiciais, mas indica que o benefício observado no estudo não cresceu proporcionalmente ao tempo dedicado ao exercício.
Quando os pesquisadores analisaram causas específicas de morte, como doenças cardiovasculares, câncer e problemas neurológicos, foram identificados padrões diferentes de associação conforme o volume de atividade física.
Musculação combinada com exercícios aeróbicos
A pesquisa também avaliou participantes que combinavam treinamento de força com atividades aeróbicas. Entre os exemplos estão caminhada, corrida, ciclismo e natação.
Os resultados indicaram que a combinação das duas modalidades esteve associada a alguns dos menores riscos de mortalidade registrados no levantamento. Em determinados grupos analisados, a redução chegou a 45% quando comparada aos participantes que não realizavam treinamento de força nem exercícios aeróbicos.
A associação sugere que diferentes formas de atividade física podem contribuir conjuntamente para um perfil de maior prática corporal. Entretanto, assim como nos demais resultados, os dados não permitem concluir que a combinação dos exercícios seja, por si só, a causa direta da menor mortalidade observada.
Começar com pequenas quantidades pode ser uma alternativa
Para pessoas que atualmente não praticam exercícios, os resultados indicam que não é necessário iniciar com grandes períodos de treinamento. A adoção gradual de atividades pode permitir a construção de uma rotina mais consistente.
A frequência e a regularidade podem ser consideradas na organização de uma rotina de exercícios, enquanto a intensidade e o volume devem levar em conta fatores individuais, como experiência, condicionamento físico, objetivos e condições de saúde.
A recomendação de iniciar progressivamente também evita que pessoas sedentárias tentem reproduzir, de imediato, rotinas de treinamento mais exigentes.
O que o estudo mostra sobre a prática de exercícios
Os resultados apresentados no British Journal of Sports Medicine apontam que a relação entre atividade física e saúde pode variar de acordo com a quantidade e o tipo de exercício praticado. No caso da musculação, a faixa entre 90 e 120 minutos semanais apresentou associações relevantes com menor mortalidade geral e com menores riscos relacionados a algumas doenças.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores identificaram diferenças quando as causas de morte foram avaliadas separadamente. Dessa forma, não existe necessariamente uma única quantidade de exercício capaz de produzir o mesmo efeito para todos os indicadores de saúde.

