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Leia: Delegado que prendeu médico por suspeita de falsa especialidade vira alvo de investigação interna da Polícia Civil
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OpiniãoMT > Blog > Cuiabá > Delegado que prendeu médico por suspeita de falsa especialidade vira alvo de investigação interna da Polícia Civil
Cuiabá

Delegado que prendeu médico por suspeita de falsa especialidade vira alvo de investigação interna da Polícia Civil

última atualização: 20 de novembro de 2025 21:52
Jornalista Mauad
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4 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução/ Midia News
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

A Corregedoria Geral da Polícia Civil de Mato Grosso abriu investigação para apurar a conduta do delegado Pablo Carneiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, após ele dar voz de prisão a um médico residente durante uma consulta no Hospital HBento. O caso, ocorrido na última quarta-feira, dia 19 de novembro, gerou uma acusação formal de “violência institucional” por parte do Conselho Regional de Medicina (CRM-MT).

Segundo o CRM-MT e testemunhas, além da prisão do médico, o delegado teria ameaçado outros membros da equipe médica da unidade de saúde.

Em nota oficial, a Polícia Civil de Mato Grosso confirmou os procedimentos adotados e informou a abertura de uma investigação interna:

A Polícia Civil informa que o profissional foi encaminhado até a delegacia para esclarecimentos. Depois de ouvido o médico foi liberado, bem como testemunhas foram arroladas e serão ouvidas nos próximos dias pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá. A Corregedoria Geral da Polícia Civil esclarece que os fatos serão apurados.

A investigação da Corregedoria focará na denúncia de “violência institucional” e nas alegações de ameaça a outros membros da equipe médica, enquanto a Delegacia de Estelionato segue apurando a conduta profissional do médico Gilmar Silvestre de Lima.

A investigação será conduzida pela própria delegacia à qual Pablo Carneiro pertence.

PRISÃO EFETUADA DURANTE CONSULTA

O incidente começou quando o delegado Pablo Carneiro compareceu ao Hospital HBento para uma consulta agendada, mas foi atendido pelo médico Gilmar Silvestre de Lima, cuja especialidade seria diferente da esperada.

O delegado relatou que o médico, formado na Bolívia com revalidação pela UnB e cursando residência, teria se apresentado e preenchido formulários como se fosse anestesista, mas sem o devido registro de especialidade no Conselho.

“Ele fazia toda a anamnese, realizava exames e assinava a ficha tanto no campo de responsabilidades quanto no campo destinado ao anestesista. Só que não carimbava. Quando consultei o site do Conselho de Medicina, vi que ele não tem especialidade registrada e fui informado de que ainda está cursando a residência. Ele não poderia se apresentar, em nenhum momento, como anestesista de fato”, justificou o delegado Pablo Carneiro.

O médico foi levado à delegacia para esclarecimentos e liberado em seguida. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá.

CRM DENUNCIA SUPOSTO ABUSO

O presidente do CRM-MT, Diogo Leite Sampaio, reagiu duramente ao episódio, classificando a ação do delegado como um “episódio de abuso de autoridade” e uma “violação grave dos direitos e prerrogativas do profissional”.

O Conselho defendeu que médicos residentes atuam sob supervisão e podem realizar atendimentos. O presidente afirmou que o médico foi vítima de violência e acusou o delegado de se valer de sua posição:

“Não há, da parte do médico, nenhuma ilegalidade, nada que justifique a postura adotada pelo paciente, que apenas e tão somente se valeu do fato de ser delegado para criar toda esta situação, abusar de sua autoridade e violar os direitos e prerrogativas que assistem o médico.”

O CRM-MT informou que buscará o governador Mauro Mendes (União) e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) para que sejam tomadas providências, reforçando que a conduta do delegado configurou “violência institucional”.

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