A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado revelou, em seu relatório final, indícios de que o Master teria atuado como uma ligação entre o sistema financeiro e estruturas de lavagem de dinheiro associadas ao crime organizado no Brasil. O documento será analisado e votado pelo colegiado nesta terça-feira (14).
Banco Master no centro de investigações financeiras
De acordo com o relatório, o Banco Master é apontado como um dos principais núcleos de financiamento de atividades ilícitas no país. O caso é classificado pelos parlamentares como um dos maiores escândalos financeiros recentes, devido à complexidade das operações identificadas.
Mecanismos sofisticados de ocultação
O texto destaca que a instituição teria utilizado métodos elaborados para ocultar a origem de recursos ilegais. Essas práticas incluiriam movimentações financeiras estruturadas para dificultar o rastreamento por órgãos de controle.
Segundo o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a investigação enfrentou limitações técnicas diante da complexidade do caso. Por isso, optou-se por registrar os fatos já identificados e recomendar o aprofundamento das apurações.
Investigações e atuação das autoridades
O relatório também menciona que os fatos relacionados ao caso Master já estão sendo investigados pela Polícia Federal no âmbito de crimes comuns. Além disso, há indicação de responsabilização de autoridades por possíveis crimes de responsabilidade.
Outro ponto relevante é que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, após suspeitas envolvendo a comercialização de títulos sem lastro. A partir daí, novas informações passaram a surgir, indicando possíveis conexões entre o proprietário da instituição, Daniel Vorcaro, e integrantes dos Três Poderes.
Indícios de exploração sexual envolvendo o caso Master
Além das suspeitas financeiras, o relatório da CPI também traz à tona indícios de exploração sexual em eventos organizados por Daniel Vorcaro.
Eventos e possível esquema estruturado
De acordo com o documento, o próprio banqueiro teria admitido, em mensagens privadas, a realização de cerca de 300 eventos desse tipo. As festas, segundo o relatório, fariam parte de suas atividades, sendo descritas como parte de um “negócio”.
As informações surgiram inicialmente a partir de dados analisados pela CPMI do INSS, que teve acesso a conteúdos armazenados no celular e em serviços de nuvem do investigado.
Material apreendido e evidências
Entre os arquivos analisados, foram identificados vídeos, mensagens e documentos que apontariam para o recrutamento de mulheres estrangeiras para participação nos eventos. O material inclui registros de passaportes, imagens e conteúdos de natureza íntima, além de evidências de festas realizadas em Brasília e em Trancoso.
Segundo o relatório, foram analisados aproximadamente 400 gigabytes de dados, o que reforça a dimensão das investigações conduzidas até o momento.
Possíveis crimes associados
O documento aponta indícios de crimes relacionados ao tráfico internacional de pessoas e exploração sexual. As suspeitas se baseiam nas condições em que teriam ocorrido o recrutamento, transporte e hospedagem das mulheres envolvidas nos eventos.

