A investigação conduzida pela Polícia Federal revelou novos detalhes sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB. De acordo com relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o banco público do Distrito Federal teria mantido operações consideradas suspeitas mesmo após receber alertas internos sobre possíveis fraudes nas carteiras adquiridas.
O documento, apresentado ao ministro André Mendonça, sustenta o pedido de prisão do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, investigado por supostamente receber vantagens indevidas em negócios ligados às transações financeiras analisadas pela corporação.
PF aponta participação do BRB em operações investigadas
Segundo a Polícia Federal, as apurações indicam que o BRB tinha conhecimento de inconsistências nas operações desde o segundo semestre de 2024. Ainda assim, a instituição teria dado continuidade à compra de carteiras vinculadas ao Banco Master.
Os investigadores afirmam ter reunido uma série de provas, incluindo mensagens extraídas de celulares, documentos apreendidos, relatórios internos e depoimentos de dirigentes envolvidos nas negociações. O material, conforme a PF, reforça a tese de que o banco não atuou apenas como parte prejudicada no esquema investigado.
O relatório destaca que gestores responsáveis pelas operações teriam sido informados sobre descumprimentos contratuais, ausência de comprovações financeiras e falhas operacionais relacionadas aos ativos adquiridos.
Auditoria interna identificou inconsistências
Uma auditoria realizada internamente pelo próprio BRB teria detectado irregularidades relevantes nas carteiras negociadas pelo Banco Master. Entre os problemas identificados estariam o uso de e-mails falsificados e informações cadastrais inconsistentes, incluindo idades incompatíveis com os registros apresentados.
A PF teve acesso ao relatório após apreensões realizadas durante a Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, o conteúdo da auditoria não havia sido entregue espontaneamente à polícia pela antiga gestão do banco.
No entendimento da corporação, os documentos obtidos demonstram que havia sinais claros de irregularidades antes da continuidade das operações financeiras.
Pareceres recomendavam cautela
O ex-diretor jurídico Jaques Maurício Ferreira Veloso relatou em depoimento que passou a recomendar, a partir de março de 2025, que novas aquisições fossem submetidas ao Conselho de Administração do BRB.
Conforme o depoimento, os pareceres internos passaram a sugerir maior cautela diante das fragilidades identificadas. As recomendações incluíam a regularização dos fluxos financeiros e a verificação detalhada dos ativos utilizados como garantia das operações.
Mesmo diante dos alertas, as transações continuaram sendo realizadas, segundo a investigação.
Decisões eram centralizadas na presidência
Ainda de acordo com a PF, a tomada de decisões dentro do BRB era fortemente centralizada na presidência ocupada por Paulo Henrique Costa. O ex-diretor jurídico afirmou que os integrantes da diretoria colegiada recebiam os documentos das operações pouco antes das deliberações.
As investigações também identificaram mensagens que apontariam pressão para assinatura rápida de contratos. Em um dos trechos do relatório, a PF afirma que três contratos foram assinados em sequência em um intervalo de poucos minutos, sem tempo adequado para avaliação técnica aprofundada.
Para os investigadores, esse modelo de aprovação contrariaria práticas prudenciais normalmente adotadas por instituições financeiras em operações de grande porte.
Anotações internas reforçam suspeitas
A agenda da ex-diretora de Riscos do BRB, Luana de Andrade Ribeiro, também passou a integrar o conjunto de provas analisadas pela Polícia Federal. Os registros apreendidos mostram observações relacionadas às compras de carteiras e aos riscos identificados nas negociações.
Em uma anotação datada de julho de 2025, Luana teria registrado que cerca de 90% das compras estavam fora da política interna do banco. Em outro trecho, ela menciona declarações atribuídas ao então presidente da instituição indicando a necessidade de manter as aquisições para evitar dificuldades financeiras no Banco Master.
As anotações também apontam dificuldades na substituição de ativos considerados problemáticos, já que novas carteiras apresentariam inconsistências semelhantes às anteriores.
Relação entre BRB e Banco Master segue sob investigação
Os celulares apreendidos durante a operação também revelaram, segundo a PF, que o Banco Master dependia financeiramente dos aportes realizados pelo BRB desde 2024 para manter liquidez em suas operações.
A Polícia Federal sustenta que os elementos reunidos até o momento demonstram possível participação ativa de integrantes do banco público na manutenção das operações investigadas. O caso continua sob análise do STF e pode resultar em novos desdobramentos judiciais nos próximos meses.

