A Aeronáutica informou à Câmara dos Deputados que realizou repasses de aproximadamente R$ 2,4 milhões ao Banco Master entre os anos de 2024 e 2025, referentes a operações de empréstimos consignados contratadas por integrantes da Força. As informações foram encaminhadas em resposta a um requerimento parlamentar que buscava esclarecimentos sobre a relação institucional entre o comando militar e a instituição financeira.
Câmara recebe esclarecimentos sobre repasses ao Banco Master
As informações foram enviadas pelo Comando da Aeronáutica após solicitação do deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), que pediu detalhes sobre as operações envolvendo o Banco Master e os descontos em folha de pagamento de militares.
De acordo com o documento encaminhado ao Legislativo, o montante de R$ 2,4 milhões corresponde aos valores transferidos pela Força à instituição financeira durante os anos de 2024 e 2025, relacionados exclusivamente aos contratos de crédito consignado firmados pelos militares.
O relatório também detalha que, entre janeiro e abril de 2026, foram retidos R$ 456,9 mil referentes aos descontos efetuados na folha de pagamento dos beneficiários.
Retenção ocorreu após liquidação extrajudicial
Segundo o comando militar, a retenção dos valores aconteceu após a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master. Conforme informado, os recursos deixaram de ser repassados temporariamente porque a entidade responsável pela liquidação ainda não havia validado as informações necessárias para a continuidade das transferências.
A Aeronáutica destacou que a suspensão dos repasses ocorreu por questões operacionais ligadas ao processo de liquidação da instituição financeira, não por decisão relacionada aos contratos firmados pelos militares.
Aeronáutica explica papel no processamento dos consignados
No documento enviado aos parlamentares, a Aeronáutica esclareceu que sua participação nesse tipo de operação está restrita ao credenciamento das instituições financeiras autorizadas e ao processamento dos descontos em folha de pagamento, desde que previamente autorizados pelos militares contratantes.
A corporação enfatizou que não participa da negociação dos contratos nem interfere nas condições estabelecidas entre os clientes e os bancos. Dessa forma, a responsabilidade da Força limita-se aos procedimentos administrativos previstos nas normas vigentes para esse tipo de convênio.
Ainda conforme os esclarecimentos, o Banco Master recebeu credenciamento em abril de 2024 para disponibilizar empréstimos consignados, cartões de crédito e outros benefícios destinados aos integrantes da Aeronáutica.
Credenciamento seguiu critérios previstos em edital
O comando informou que o credenciamento concedido ao Banco Master teve como base as regras estabelecidas em edital público. Segundo a corporação, essa autorização permitia apenas a oferta dos produtos financeiros nas condições previamente definidas, sem representar qualquer vínculo diferenciado entre a instituição financeira e a administração militar.
A Aeronáutica reforçou que o processo de credenciamento não implica participação na gestão dos contratos individuais celebrados pelos militares, permanecendo restrito ao cumprimento das normas administrativas aplicáveis.
Força afirma não haver investigações sobre possíveis irregularidades
Ao responder aos questionamentos apresentados no requerimento, a Aeronáutica informou que não possui conhecimento sobre investigações internas relacionadas às operações de empréstimos consignados envolvendo o Banco Master.
O comando também declarou que, até o momento, não foram identificados indícios de favorecimento, conflito de interesses ou direcionamento que justificassem a abertura de procedimentos administrativos para apuração dos contratos.
Segundo a manifestação oficial, não existem registros de medidas disciplinares ou investigações conduzidas pela corporação sobre o tema.
Ministério da Defesa também se manifesta
Em resposta ao mesmo requerimento encaminhado à Câmara dos Deputados, o Ministério da Defesa apresentou posicionamento semelhante ao da Aeronáutica.
A pasta informou que, até o momento, não foram identificados elementos capazes de justificar a instauração de procedimentos administrativos ou medidas específicas para investigar as operações financeiras relacionadas ao Banco Master.
Com isso, tanto o Ministério da Defesa quanto a Aeronáutica afirmaram que não há, até agora, informações que apontem irregularidades capazes de motivar apurações internas envolvendo os contratos de empréstimo consignado firmados por militares junto à instituição financeira.

