A Polícia Federal identificou uma suposta relação de proximidade entre o governador do Rio de Janeiro, Castro, e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A informação aparece em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou operações de busca e apreensão no âmbito da investigação denominada Compliance Zero.
Segundo os investigadores, a relação entre as partes teria ocorrido paralelamente a movimentações financeiras bilionárias realizadas pelo RioPrevidência em produtos ligados ao conglomerado financeiro comandado por Vorcaro. As apurações analisam possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos para investimentos vinculados ao grupo econômico.
PF aponta relação entre Castro e Vorcaro
A decisão judicial cita elementos encontrados durante a investigação que indicariam uma conexão além de contatos institucionais entre Castro e o empresário. Conforme o documento, mensagens obtidas no celular de Daniel Vorcaro mencionariam a necessidade de “alinhamento político” para viabilizar determinados investimentos envolvendo o fundo previdenciário estadual.
O ministro André Mendonça destacou, no despacho, que a Polícia Federal identificou encontros frequentes entre os dois, inclusive em ambientes privados e viagens internacionais custeadas pelo banqueiro. Para os investigadores, os registros reforçam a suspeita de uma relação próxima durante o período em que ocorreram as aplicações financeiras do RioPrevidência.
Operação Compliance Zero avança
Na manhã desta terça-feira (26), agentes da PF cumpriram mandados relacionados à oitava fase da Operação Compliance Zero. A investigação concentra esforços na análise de investimentos estimados em R$ 3 bilhões realizados pelo RioPrevidência em fundos e produtos financeiros ligados ao Banco Master.
De acordo com a corporação, o esquema investigado teria utilizado diferentes modalidades de aplicação para direcionar recursos públicos ao conglomerado financeiro. Os investigadores também apuram possíveis benefícios indevidos e eventual favorecimento nas operações financeiras conduzidas pelo fundo estadual.
Investimentos do RioPrevidência entram na mira
Os dados reunidos pela Polícia Federal apontam que o RioPrevidência realizou inicialmente um aporte de R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Posteriormente, diante de limitações regulatórias identificadas durante o processo, outros R$ 2,01 bilhões teriam sido transferidos para fundos estruturados pelo mesmo grupo econômico.
Segundo a investigação, as operações ocorreram em um período no qual o banco buscava ampliar sua captação de recursos no mercado financeiro. A PF avalia se houve irregularidades na condução dessas aplicações e se os investimentos atenderam aos critérios técnicos e legais exigidos para a utilização de recursos públicos.
Mensagens reforçam suspeitas da investigação
Os investigadores afirmam que conversas encontradas durante a apuração sugerem influência política na definição das operações financeiras envolvendo o RioPrevidência. A Polícia Federal sustenta que alguns investimentos dependeriam de mudanças na estrutura de gestão do fundo previdenciário estadual.
A decisão do STF também menciona referências a eventos organizados ou custeados por Vorcaro em contextos ligados à relação pessoal com Castro. Esses elementos passaram a integrar o conjunto probatório analisado pela corporação no decorrer da operação.
Esquema bilionário é investigado pela PF
Além das buscas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal, a investigação tenta esclarecer se houve a formação de um esquema de corrupção envolvendo recursos do RioPrevidência e empresas relacionadas ao Banco Master.
Os investigadores avaliam a existência de possíveis vantagens indevidas associadas aos aportes realizados pelo fundo estadual. A apuração ainda busca identificar o papel de agentes públicos e privados nas decisões relacionadas às aplicações financeiras analisadas pela operação. Até o momento, os envolvidos citados na investigação não tiveram condenação judicial, e o caso segue em andamento sob supervisão do STF.

