*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Uma investigação conduzida pelo Grupo Operacional do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual (MPE), apura um suposto esquema de desvios de emendas parlamentares em Mato Grosso. A Operação Emenda Oculta, deflagrada na manhã da última quinta-feira, dia 30 de abril, tem como alvos parlamentares e o empresário João Nery Chiroli, proprietário da Chiroli Esportes.
A ação é um desdobramento da Operação Gorjeta, que investigou desvios de verbas do vereador Chico 2000 (PL) através do Instituto Ibrace. Desta vez, o foco são repasses que somam R$ 2,8 milhões, autorizados em dezembro de 2025, destinados ao Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) e ao Instituto Brasil Central (Ibrace).
SAQUES E ENCONTROS SUSPEITOS
O inquérito detalha que João Nery Chiroli realizou três saques que totalizaram R$ 720 mil em um intervalo de apenas 36 dias. Relatórios técnicos, baseados em imagens de monitoramento, identificaram dois momentos críticos.
16 de dezembro de 2025: Após sacar R$ 350 mil em uma agência do Sicoob, Chiroli foi avistado entrando em um veículo que pertenceria ao deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo).
21 de janeiro de 2026: Chiroli realizou um novo saque, desta vez de R$ 120 mil, e dirigiu-se ao Condomínio Florais Itália. No local, ele teria se encontrado com o vereador de Cuiabá Cezinha Nascimento (Novo), irmão de Elizeu.
MEDIDAS JUDICIAIS E APREENSÕES
Diante dos indícios apresentados pelo MPE, a desembargadora autorizou uma série de medidas restritivas contra oito pessoas físicas e jurídicas, como a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio de bens.
Durante o cumprimento de mandados nas residências dos irmãos Nascimento, os agentes apreenderam cerca de R$ 200 mil em espécie, além de celulares, notebooks e documentos.
O Ministério Público Estadual também solicitou o afastamento da função pública do deputado Elizeu Nascimento e do irmão, o vereador Cezinha Nascimento.

