*Sêmia Mauad/ Opinião MT
As investigações sobre a morte de Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, servidor da tradicional Escola Estadual Liceu Cuiabano, ganharam novos capítulos. A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá analisa agora um vídeo gravado durante uma videochamada em que o servidor aparece apontando uma arma contra a própria cabeça, gesticulando e andando pela casa enquanto conversa com uma pessoa ainda não identificada oficialmente.
O caso, que inicialmente foi registrado como morte decorrente de intervenção policial em uma ocorrência de cárcere privado, está sob intensa apuração após a Politec liberar o laudo pericial oficial nesta semana.
O LAUDO DA POLITEC: SEIS TIROS E NENHUM DISPARO CONTRA A PM
O laudo pericial emitido na última terça-feira, dia 19 de maio, trouxe revelações que confrontam as primeiras versões do boletim de ocorrência lavrado pela Polícia Militar. De acordo com o documento técnico da Politec, Valdivino foi atingido por seis disparos de arma de fogo, sendo 03 tiros na região abdominal (barriga), 01 tiro nas costas, 01 tiro na coxae 01 tiro de raspão na cabeça.
O laudo pericial confirmou de forma categórica que o servidor não efetuou disparos contra os policiais militares no quintal da residência.
Diante dos novos elementos periciais e do vídeo da videochamada, a DHPP confirmou que fará uma nova oitiva com a enteada de Valdivino para esclarecer a dinâmica exata dos fatos dentro do imóvel. Além do homicídio, a Polícia Civil abriu uma linha de investigação paralela para apurar o suposto desaparecimento de R$ 20 mil em espécie de dentro de um cofre que ficava no quarto do servidor, sumiço este relatado por uma testemunha em depoimento.
RELEMBRE O CASO: TENSÃO E DESPEDIDA NO BAIRRO GOIABEIRAS
A tragédia ocorreu na noite do dia 11 de maio, no bairro Goiabeiras, área nobre de Cuiabá. A Polícia Militar foi acionada sob a denúncia de que Valdivino mantinha a própria ex-enteada sob cárcere privado e ameaça de morte. A motivação seria o fato de o servidor não aceitar o fim do relacionamento amoroso com a mãe da jovem.
Ao chegarem ao local, policiais da equipe Raio 02 relataram ter ouvido estampidos vindos de dentro da casa. Através de uma janela, os militares teriam visualizado Valdivino apontando o revólver contra a cabeça da jovem, que tentava usar o celular.
De acordo com o histórico do boletim de ocorrência, Valdivino saiu em seguida para o quintal e se deparou com os policiais. Ao receber ordem para largar a arma, ele teria apontado o revólver em direção à equipe, momento em que os policiais reagiram efetuando os disparos. O servidor morreu no local antes da chegada do socorro médico.
VÍDEOS REVELAM TOM DE DESPEDIDA
A polícia localizou gravações feitas no celular que mostram os momentos que antecederam o desfecho fatal. Em um dos registros, Valdivino conversa diretamente com a ex-enteada em tom de despedida e demonstrava ter plena consciência de que a situação terminaria em morte.
“A minha vida está ruim. Minha vida está péssima. Aí você só chama a polícia para levar meu corpo. Eu vou morrer hoje”, afirmou o servidor na gravação.
Ainda no vídeo, ele chega a dar “opções” à jovem sobre o que fazer caso ele morresse, reforçando que não tinha a intenção de se render ou sair vivo do cerco policial.
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