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Leia: Registro usado por Moraes para prender Filipe Martins é falso, diz justiça americana
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21 de agosto de 2026 15:49

OpiniãoMT > Blog > Justiça > Registro usado por Moraes para prender Filipe Martins é falso, diz justiça americana
Justiça

Registro usado por Moraes para prender Filipe Martins é falso, diz justiça americana

Juiz dos EUA determina que autoridades entreguem documentos sobre registro migratório atribuído a Filipe Martins e considerado falso.

Redação OPMT
Publicado em: 21 de agosto de 2026
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8 Minutos de Leitura
Registro usado por Moraes para prender Filipe Martins é falso, diz justiça americana
Simulação de julgamento de Filipe Martins, ex-assessor da presidência do governo Bolsonaro.
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Um juiz federal dos Estados Unidos determinou que autoridades americanas forneçam documentos que possam esclarecer a origem de um registro migratório que apontava, de forma incorreta, a entrada de Filipe Martins no país em 30 de outubro de 2022. A decisão envolve informações que foram utilizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para fundamentar a prisão preventiva do ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Filipe Martins busca identificar origem de registro

A determinação partiu do juiz federal Gregory A. Presnell, durante uma audiência realizada em março. O magistrado analisou um pedido apresentado por Martins com base na Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos, conhecida como Foia.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o objetivo da solicitação é obter registros que permitam descobrir quem inseriu a informação incorreta nos sistemas migratórios americanos e de que maneira o dado foi produzido.

Durante a audiência, Presnell afirmou que a existência de um registro falso já não era uma questão em disputa. Isso porque o próprio governo dos Estados Unidos havia reconhecido que a informação registrada pela Patrulha de Fronteira estava errada.

Decisão envolve documentos da Patrulha de Fronteira

O juiz destacou que o caso teve consequências relevantes para Filipe Martins. Conforme a decisão, o registro incorreto acabou sendo relacionado à prisão do ex-assessor, motivo pelo qual ele teria direito de conhecer as circunstâncias que levaram à criação e inserção daquela informação.

Presnell também questionou a resistência do governo americano em disponibilizar os documentos solicitados. A ordem judicial determina que a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) forneça informações capazes de apontar os responsáveis pelo registro e esclarecer sua origem.

Registro migratório foi usado na prisão de Filipe Martins

O sistema migratório americano indicava que Filipe Martins havia entrado nos Estados Unidos em 30 de outubro de 2022. A data coincidia com a viagem de Jair Bolsonaro para Orlando, na Flórida.

A informação foi considerada pelo ministro Alexandre de Moraes ao analisar a situação do ex-assessor. Em fevereiro de 2024, o ministro determinou a prisão preventiva de Martins, considerando, entre outros elementos, a possibilidade de que ele tivesse viajado para os Estados Unidos junto com Bolsonaro e permanecido fora do Brasil.

A hipótese foi relacionada às investigações sobre a chamada trama golpista e à possibilidade de fuga do país.

Defesa apresentou documentos sobre permanência no Brasil

A defesa de Filipe Martins contestou a informação registrada nos sistemas americanos e apresentou documentos para sustentar que ele estava no Brasil no período mencionado.

Entre os elementos apresentados estava um comprovante relacionado a uma viagem aérea doméstica realizada pela companhia Latam. O registro indicava que Martins teria embarcado em um voo dentro do território brasileiro no dia seguinte à suposta entrada nos Estados Unidos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia solicitado inicialmente a prisão preventiva, posteriormente se manifestou favoravelmente à soltura do ex-assessor. O primeiro pedido não foi acolhido por Moraes, mas a libertação acabou sendo determinada em agosto de 2024.

Governo dos EUA reconheceu erro no registro

Em outubro de 2025, a própria CBP reconheceu que Filipe Martins não havia entrado nos Estados Unidos na data indicada pelo sistema migratório.

A confirmação oficial reforçou a contestação apresentada pela defesa e passou a integrar a disputa judicial conduzida por Martins em território americano. A agência também reconheceu que a informação incorreta havia sido considerada na decisão que levou à prisão preventiva do ex-assessor.

Em janeiro de 2026, Filipe Martins recorreu à Foia para solicitar documentos ao Departamento de Estado dos Estados Unidos e à CBP. A intenção era obter informações que ajudassem a identificar a origem do registro e os responsáveis por sua inclusão nos sistemas oficiais.

Juiz questionou resistência das autoridades

Durante a audiência, Gregory A. Presnell criticou os argumentos utilizados pelos representantes do governo americano para contestar a divulgação dos documentos.

O magistrado afirmou que, caso uma ação deliberada dentro do governo tivesse causado prejuízo a uma pessoa, a situação deveria ser esclarecida por meio do mecanismo de acesso à informação previsto na legislação americana.

Presnell também demonstrou preocupação com a retenção dos documentos e considerou inadequadas algumas das justificativas apresentadas pelas autoridades.

Ao final da análise, determinou que a CBP entregue materiais que possam identificar as pessoas envolvidas na criação ou inclusão do registro migratório questionado.

Até a publicação das informações que embasaram a reportagem, a agência americana não havia apresentado manifestação sobre a determinação judicial.

Como surgiu a informação sobre a suposta viagem

As primeiras notícias relacionadas a uma possível viagem de Filipe Martins aos Estados Unidos começaram a circular em outubro de 2023.

Naquele período, uma reportagem informou inicialmente que o ex-assessor teria viajado para Orlando e desaparecido. Posteriormente, o veículo responsável pela publicação corrigiu a informação.

Ainda em outubro daquele ano, outra publicação relatou que Alexandre de Moraes teria informado a parlamentares que não sabia onde Martins estava e que havia tomado conhecimento da suposta viagem por meio de notícias divulgadas pela imprensa.

Meses depois, o registro migratório americano passou a ser utilizado como um dos elementos relacionados à hipótese de que Filipe Martins teria deixado o Brasil para evitar as investigações.

Condenação de Filipe Martins no STF

Em dezembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Filipe Martins a 21 anos de prisão por sua participação na trama golpista. Na ocasião, ele cumpria prisão domiciliar enquanto aguardava a análise de recursos.

Já em janeiro de 2026, Alexandre de Moraes determinou novamente a prisão preventiva do ex-assessor. A decisão ocorreu após o ministro considerar que a utilização da rede social LinkedIn por seus advogados representava descumprimento de uma medida cautelar que restringia o acesso de Martins às redes sociais.

O novo episódio relacionado ao registro migratório nos Estados Unidos, portanto, passou a integrar uma disputa judicial distinta, conduzida por Filipe Martins perante a Justiça americana, com o objetivo de esclarecer a origem de uma informação que teve impacto em decisões tomadas no Brasil.

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