*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O cabo da Polícia Militar Renato Oliveira Aragão, de 32 anos, foi assassinado a tiros enquanto ministrava uma aula de jiu-jitsu nas dependências de um Centro de Referência de Assistência Social (Cras), na última terça-feira, dia 4 de agosto, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. O ataque ocorreu na presença de alunos, incluindo crianças que acompanhavam a atividade esportiva.

O militar coordenava as instruções de artes marciais inseridas em uma iniciativa comunitária vinculada ao 25º Batalhão da Polícia Militar. Durante a execução da aula, o espaço foi invadido de surpresa pelo atirador, identificado posteriormente como Jonathan Vieira dos Santos, de 33 anos. Munido de um revólver calibre 38, o agressor disparou várias vezes contra o policial, que foi atingido e tombou sobre o tatame.
Apesar dos esforços de socorro prestados às pressas para tentar salvar a vida do cabo Aragão, ele não resistiu aos ferimentos graves e morreu.
Os próprios alunos do projeto social avançarem sobre o criminoso, conseguindo contê-lo e imobilizá-lo logo após os disparos, o que garantiu a custódia do atirador até a chegada dos reforços da Polícia Militar.
LINHA DE INVESTIGAÇÃO APONTA PARA MOTIVAÇÃO PASSIONAL
De acordo com as primeiras diligências coordenadas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e elementos colhidos por meio de depoimentos, o homicídio teve motivação passional.
As apurações apontam que o suspeito alimentava fortes crises de ciúmes e acreditava na existência de um caso extraconjugal envolvendo a vítima e a companheira dele. O histórico de animosidade já contava com registros formais anteriores. Meses antes do crime, Jonathan havia registrado um boletim de ocorrência no qual mencionava a suposta relação e fazia ameaças diretas contra o policial.
Após ser entregue à Polícia Judiciária Civil pela equipe que o deteve, o acusado foi conduzido à Central de Flagrantes de Várzea Grande. Submetido ao interrogatório formal conduzido pelo delegado Rogério Gomes, optou por permanecer em silêncio. Ele acabou autuado em flagrante delito pelos crimes de homicídio qualificado, tipificado pelo emprego de meio cruel e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa do policial, sendo encaminhado na sequência para a audiência de custódia.
A perda súbita e violenta causou forte comoção entre os colegas de farda. O comandante do 2º Comando Regional da PM, coronel Ricardo Mendes, manifestou profundo pesar pelo ocorrido e enfatizou a relevância do trabalho comunitário que a vítima prestava à sociedade.
“É uma triste perda para nossa corporação, de um policial que estava exercendo a função social e teve sua vida interrompida covardemente. Felizmente, apesar da situação triste, conseguimos deter o assassino e levá-lo preso. Esperamos que a Justiça seja feita de forma rápida e desejamos que Deus conforte todos os familiares e amigos pela perda do cabo Aragão”.
Além de cumprir as atribuições na segurança pública e nos programas sociais da instituição militar, Renato Oliveira Aragão era uma figura de destaque no cenário das artes marciais de Mato Grosso.
Por meio de nota oficial, a Federação de Jiu-Jitsu Esportivo do Estado de Mato Grosso lamentou profundamente o falecimento, exaltando a conduta disciplinada, a postura respeitosa e a dedicação do professor na transformação de vidas através do esporte.
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