A Polícia Federal (PF) investiga uma série de pagamentos realizados pela empresária e lobista Luchsinger ao ex-chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola. Segundo informações reveladas pelo site Metrópoles, os investigadores identificaram transferências que, somadas, chegam a R$ 249 mil, além de apurarem a possibilidade de que ele também tenha recebido valores em dinheiro vivo durante o período em que exercia uma das principais funções no Palácio do Planalto.
Luchsinger é investigada por repasses ao ex-chefe de gabinete
De acordo com a investigação, Marco Aurélio Santana encaminhava à empresária Roberta Luchsinger boletos e códigos de barras referentes a despesas pessoais para que os pagamentos fossem efetuados por ela. As movimentações financeiras ocorreram ao longo de 2025, período em que Marcola ocupava o cargo de chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A apuração da Polícia Federal teve origem na análise do conteúdo extraído do celular de Roberta Luchsinger, investigada na operação relacionada às suspeitas de irregularidades envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A partir das mensagens encontradas no aparelho, os investigadores mapearam os pagamentos destinados ao então auxiliar da Presidência.
Valores somam R$ 249 mil
Segundo a investigação, o total de recursos já identificado pela Polícia Federal alcança R$ 249 mil. Além das transferências bancárias, os agentes também buscam esclarecer se Marco Aurélio Santana recebeu quantias em espécie, hipótese que continua sendo analisada no inquérito.
Na época dos fatos, Marcola era responsável pela coordenação da agenda presidencial e pela interlocução entre o presidente da República e integrantes da Esplanada dos Ministérios, posição considerada estratégica dentro da estrutura do governo federal.
Relação entre Luchsinger e Marcola motivou novo inquérito
A proximidade entre Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana levou a Polícia Federal a solicitar a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Lula.
O procedimento busca esclarecer se o então chefe de gabinete teria utilizado a função pública para favorecer interesses privados, situação que pode caracterizar eventual prática de tráfico de influência. A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Embora o foco principal esteja na relação entre Marcola e Roberta Luchsinger, o nome de Lulinha aparece no procedimento investigativo porque a linha de apuração considera a hipótese de que a empresária atuasse em seu nome em contatos mantidos dentro da administração federal.
Depoimento à Polícia Federal
Durante depoimento prestado em maio deste ano, Roberta Luchsinger confirmou que apresentou Lulinha ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. No entanto, ela afirmou aos investigadores que ambos não desenvolveram atividades conjuntas.
Ainda conforme as informações levantadas pela Polícia Federal, a empresária também custeou uma viagem de Lulinha e de seus familiares para a Finlândia, realizada em janeiro de 2025.
Outros benefícios também são alvo da investigação
Além dos pagamentos relacionados às despesas pessoais de Marco Aurélio Santana, a investigação também cita que Roberta Luchsinger arcava com o aluguel de uma residência de alto padrão localizada no Lago Sul, em Brasília. O imóvel teria sido utilizado por Lulinha durante suas permanências na capital federal.
As apurações apontam ainda que, desde meados do ano passado, o filho do presidente passou a residir em Madri, na Espanha, informação que também consta nos documentos analisados pelos investigadores.
Enquanto o inquérito segue em andamento, a Polícia Federal continua reunindo elementos para esclarecer a natureza das relações financeiras e pessoais entre os envolvidos, bem como verificar se houve eventual utilização da estrutura pública para beneficiar interesses particulares.
Defesa de Marcola
Em manifestação enviada à imprensa, Marco Aurélio Santana negou qualquer irregularidade. Segundo sua versão, os valores pagos por Roberta Luchsinger correspondiam a um empréstimo de natureza pessoal, afastando a existência de qualquer favorecimento indevido ou prática ilícita relacionada ao exercício de sua função pública.

