O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou, na última terça-feira (4), uma reunião com o assessor de Putin, Nikolai Patrushev, um dos principais integrantes do governo russo e atual presidente do Conselho Marítimo da Rússia. O encontro, que não constou na agenda oficial do Palácio do Planalto, teve como foco temas relacionados à cooperação entre Brasil e Rússia, além de debates sobre segurança internacional e relações bilaterais, conforme informações divulgadas pela Embaixada da Rússia no Brasil.
Assessor de Putin participou de série de reuniões em Brasília
Além da conversa com o presidente brasileiro, o assessor de Putin cumpriu uma extensa agenda de compromissos com autoridades do governo federal. Entre os encontros realizados esteve uma reunião com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim.
Segundo informações divulgadas pela representação diplomática russa, Patrushev e Amorim discutiram mecanismos para fortalecer a cooperação entre os dois países em diferentes áreas. Os temas abordados incluíram segurança internacional, projetos conjuntos ligados ao setor marítimo, além de iniciativas de desenvolvimento científico e tecnológico.
Encontros envolveram Itamaraty e Marinha do Brasil
A agenda do representante russo também contemplou reuniões com outras autoridades brasileiras.
No Ministério das Relações Exteriores, Patrushev conversou com a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha. Durante o encontro, foram debatidos assuntos relacionados à preservação dos oceanos, desafios da segurança internacional e possibilidades de ampliar a cooperação científica voltada ao ambiente marítimo.
Outra reunião ocorreu com o comandante da Marinha do Brasil, almirante Marcos Sampaio Olsen. As autoridades discutiram oportunidades de fortalecimento da cooperação entre as forças navais dos dois países, incluindo intercâmbio institucional e temas de interesse comum no setor marítimo.
O representante russo ainda manteve encontros com integrantes dos ministérios de Portos e Aeroportos e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ampliando o diálogo sobre áreas estratégicas da relação entre Brasil e Rússia.
Lula conversa por telefone com Putin no mesmo dia
No mesmo dia em que recebeu o assessor de Putin, Lula também manteve uma conversa telefônica com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. A ligação ocorreu por iniciativa do presidente brasileiro e teve como principais assuntos o comércio bilateral e os desdobramentos da guerra na Ucrânia.
Durante o contato, os dois chefes de Estado trataram da possibilidade de ampliar e diversificar as relações comerciais entre os países. De acordo com informações divulgadas pelo governo russo, Putin agradeceu a Lula pelos esforços voltados à busca de uma solução política e diplomática para o conflito envolvendo Rússia e Ucrânia.
A conversa também abordou o funcionamento do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) diante dos conflitos internacionais.
Governo brasileiro destacou necessidade de diálogo
Em nota oficial, o Palácio do Planalto informou que Lula manifestou preocupação com a dificuldade do Conselho de Segurança da ONU em avançar na resolução de conflitos internacionais.
O comunicado afirma que o presidente brasileiro ressaltou a importância de ampliar o diálogo entre as grandes potências como instrumento para a construção de soluções pacíficas. Embora a ligação tenha tratado do cenário internacional, a nota divulgada pelo governo brasileiro não mencionou diretamente a guerra na Ucrânia.
Pedido de Zelensky reforçou papel diplomático do Brasil
A atuação diplomática do Brasil em relação ao conflito também ganhou destaque durante a recente cúpula do G7. Na ocasião, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, solicitou a Lula que contribuísse para facilitar o diálogo com o governo russo.
O pedido ocorreu após um encontro bilateral realizado entre os dois líderes em 17 de junho, quando discutiram alternativas para incentivar negociações voltadas à busca de uma solução diplomática para o conflito.
A interlocução brasileira tem sido acompanhada por diferentes governos em razão da posição adotada pelo país de defender negociações e iniciativas voltadas à construção da paz, mantendo canais de comunicação com diferentes atores internacionais.

