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Leia: Número de recuperações judiciais bate novo recorde no 1º semestre de 2026
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21 de outubro de 2026 19:52

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OpiniãoMT > Blog > Economia > Número de recuperações judiciais bate novo recorde no 1º semestre de 2026
Economia

Número de recuperações judiciais bate novo recorde no 1º semestre de 2026

Número de recuperações judiciais segue em nível histórico no Brasil, com avanço entre micro e pequenas empresas no 1º semestre de 2026.

Redação OPMT
Publicado em: 5 de agosto de 2026
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6 Minutos de Leitura
Número de recuperações judiciais bate novo recorde no 1º semestre de 2026
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O número de recuperações judiciais no Brasil permanece em um dos níveis mais elevados já registrados, mesmo com sinais de desaceleração no ritmo de crescimento ao longo do primeiro semestre de 2026. Levantamento divulgado pelo Monitor RGF-Bizdoc revela que o país encerrou o mês de junho com 6.341 empresas utilizando esse mecanismo, resultado que representa um aumento de 6,2% em relação ao total registrado no encerramento de 2025. Embora o volume continue elevado, os dados mostram uma leve redução em comparação ao mês anterior.

Recuperações judiciais permanecem próximas do maior nível da série histórica

Os números indicam que, após atingir um recorde em maio, quando 6.513 empresas estavam em recuperação judicial, houve uma pequena retração em junho. No período, o estoque caiu em 172 companhias, encerrando o mês com 6.341 registros.

Apesar desse recuo mensal, o total continua entre os maiores já observados desde o início da série histórica monitorada. Especialistas avaliam que a diminuição pontual ainda não representa uma mudança consistente na tendência de crescimento observada nos últimos anos.

Micro e pequenas empresas lideram o aumento dos pedidos

O estudo aponta uma mudança importante no perfil das empresas que recorrem ao processo de recuperação judicial. Atualmente, a maior parte dos novos pedidos parte de micro e pequenas empresas, segmento que enfrenta maior dificuldade para lidar com custos financeiros elevados e acesso restrito ao crédito.

Desde o início de 2023, a incidência entre microempresas mais que dobrou. O indicador passou de 0,03 para 0,07 empresa em recuperação para cada mil CNPJs ativos. Na prática, isso significa que o número de microempresas nessa situação praticamente triplicou, passando de 513 para 1.575 companhias.

Entre as empresas de pequeno porte, o crescimento da incidência foi de 69% no mesmo período. Já nas médias empresas, a expansão chegou a 36%, demonstrando que a pressão financeira tem alcançado negócios de diferentes portes.

Grandes empresas buscam alternativas fora da Justiça

Enquanto os pequenos negócios concentram a maior parte dos novos processos, o comportamento das grandes corporações segue um caminho diferente. O levantamento mostra redução na incidência de recuperações judiciais entre empresas de grande e muito grande porte.

Hoje, esse grupo reúne 1.028 companhias em recuperação. Segundo a análise do Monitor RGF-Bizdoc, parte dessa mudança está relacionada ao aumento da utilização da recuperação extrajudicial, modalidade que ganhou espaço após alterações na legislação e permite negociações diretamente com credores, reduzindo a necessidade de processos judiciais.

Cenário econômico pressiona empresas endividadas

O ambiente econômico continua sendo um dos principais fatores que explicam o elevado número de empresas recorrendo ao mecanismo previsto na legislação. Juros elevados, dificuldade para obtenção de crédito, endividamento crescente e desaceleração da atividade econômica formam um cenário que dificulta a recuperação financeira de diversos setores.

Em muitos casos, as empresas procuram a Justiça apenas depois de esgotarem tentativas de renegociação de débitos com bancos, fornecedores e demais credores. Quando isso ocorre, a situação financeira costuma estar bastante comprometida, reduzindo as possibilidades de reorganização.

O levantamento também destaca que diversas empresas chegam ao pedido de recuperação em um momento em que o caixa operacional já não consegue cobrir os compromissos assumidos. Para manter as atividades, muitas acabam contratando novos financiamentos para quitar dívidas antigas ou utilizando ativos como garantia, aumentando ainda mais a pressão sobre suas finanças.

Baixa taxa de sucesso preocupa especialistas

Outro aspecto destacado pelo estudo é o reduzido índice de êxito das recuperações judiciais no Brasil. De acordo com a análise, parte das empresas consegue reorganizar suas dívidas, mas deixa de promover mudanças estruturais em sua gestão, estratégia ou modelo de negócios.

Sem essas adaptações, torna-se mais difícil recuperar a capacidade financeira de forma sustentável, aumentando o risco de novos episódios de inadimplência e de dificuldades econômicas no futuro.

Além disso, os impactos ultrapassam os limites das empresas em recuperação. Fornecedores, parceiros comerciais e instituições financeiras também sofrem consequências, já que atrasos ou renegociações de pagamentos afetam toda a cadeia produtiva. Esse ambiente contribui para reduzir a oferta de crédito e elevar os custos de financiamento para outras empresas.

Perspectiva ainda exige cautela

Embora junho tenha apresentado uma redução no número de empresas em recuperação judicial na comparação com maio, os dados ainda não são suficientes para indicar uma reversão da tendência observada desde os últimos anos.

A avaliação do Monitor RGF-Bizdoc é de que o instrumento continuará sendo amplamente utilizado enquanto persistirem fatores como juros elevados, crédito restrito e dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor produtivo. Dessa forma, a evolução dos indicadores nos próximos meses será fundamental para verificar se o mercado inicia um processo de estabilização ou se o número de empresas em recuperação permanecerá em patamares historicamente elevados.

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