A Polícia Federal adiou, pela terceira vez, o depoimento do ex-sócio de Vorcaro Augusto Lima, investigado no inquérito que apura um suposto esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master antes da liquidação da instituição financeira. A audiência estava prevista para ocorrer nesta segunda-feira (3), mas foi remarcada após solicitação da defesa, que alegou necessidade de mais tempo para examinar o conteúdo da investigação.
Ex-sócio de Vorcaro volta a adiar depoimento à Polícia Federal
O empresário Augusto Lima, apontado como ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, conseguiu o terceiro adiamento consecutivo de seu interrogatório no principal procedimento conduzido pela Polícia Federal sobre o caso.
Segundo os advogados de defesa, ainda não foi possível concluir a análise de todos os documentos, provas e demais elementos que compõem os autos da investigação. Com o mesmo fundamento, os representantes do empresário já haviam obtido o adiamento da oitiva em janeiro e novamente em junho deste ano.
Até o momento, a Polícia Federal não informou quando será marcada uma nova data para a realização do depoimento.
Depoimento é considerado estratégico para o avanço das investigações
Os investigadores avaliam que o interrogatório de Augusto Lima poderá contribuir para esclarecer diversos pontos considerados centrais no inquérito.
Relação com empresas investigadas
Entre os principais focos da apuração está a suposta ligação entre o Banco Master e as empresas Tirreno e Cartus, que são investigadas por suspeitas de participação em operações de lavagem de dinheiro.
A expectativa dos investigadores é que o depoimento ajude a esclarecer como essas empresas se relacionavam com o banco e qual teria sido o papel desempenhado por seus dirigentes nas operações financeiras que passaram a ser analisadas pela Polícia Federal.
Outro ponto considerado relevante envolve possíveis conexões entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), instituição que também integra o escopo das investigações conduzidas pela Operação Compliance Zero.
Investigação inclui apuração sobre contatos com Jaques Wagner
Além dos aspectos financeiros, a Polícia Federal pretende esclarecer a relação entre Augusto Lima e o senador Jaques Wagner (PT-BA), que também passou a integrar a investigação. De acordo com os investigadores, existe a suspeita de que o parlamentar tenha recebido supostas vantagens econômicas consideradas indevidas, que teriam sido intermediadas por Lima. Uma das situações analisadas envolve a aquisição de um imóvel em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões.
As investigações apontam que interceptações telefônicas registraram uma troca de mensagens relacionada ao apartamento. Conforme os documentos da Polícia Federal, uma das comunicações atribuídas ao senador informava detalhes da unidade e o valor do imóvel, elemento que passou a integrar o conjunto de provas analisado no inquérito.
O senador Jaques Wagner nega qualquer irregularidade relacionada ao caso.
Operação Compliance Zero avança com novos depoimentos
Os dados reunidos pela investigação indicam que Augusto Lima e Jaques Wagner mantiveram contato frequente ao longo de aproximadamente um ano e meio. Segundo a Polícia Federal, foram registradas 74 comunicações entre ambos, incluindo ligações telefônicas que, somadas, ultrapassariam cinco horas de duração. Essas conversas passaram a ser examinadas para verificar se possuem relação com os fatos investigados.
O senador foi intimado para prestar depoimento na próxima sexta-feira (7), na sede da Polícia Federal, em Brasília. A oitiva deverá esclarecer a natureza do relacionamento entre o parlamentar e o Banco Master, além dos contatos mantidos com Augusto Lima.
Primeiro político intimado na investigação
O depoimento de Jaques Wagner representa um marco na Operação Compliance Zero por ser o primeiro envolvendo um agente político formalmente intimado pela Polícia Federal. Embora o senador Ciro Nogueira (PP-PI) também tenha sido alvo de apurações relacionadas ao caso em etapas anteriores, Wagner tornou-se o primeiro parlamentar convocado oficialmente para prestar esclarecimentos perante os investigadores.
A expectativa da Polícia Federal é concluir, ainda neste mês, o relatório inicial da investigação, consolidando os elementos já coletados e os depoimentos considerados essenciais para o avanço do inquérito.

