Documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado revelam uma série de transferências financeiras envolvendo o Banco Master, com valores milionários destinados a escritórios de advocacia, empresas e figuras públicas. As informações indicam uma ampla rede de pagamentos realizados pelo grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo nomes da política, do meio jurídico e do entretenimento.
Banco Master: repasses e conexões investigadas
Os dados analisados pela comissão mostram que os recursos do Banco Master foram distribuídos a diferentes profissionais e empresas ao longo de 2024 e 2025. Entre os beneficiários estão ex-autoridades públicas, advogados, consultores e comunicadores.
Aqui está a lista organizada com os nomes e valores recebidos do Banco Master, conforme as informações apresentadas:
Michel Temer (MDB): ex-presidente da República, recebeu R$ 10 milhões em 2025 por meio de contrato relacionado à prestação de serviços jurídicos.
Fabio Wajngarten: advogado e ex-secretário de Comunicação da Presidência no governo Jair Bolsonaro, recebeu ao menos R$ 3,8 milhões por atuação na defesa do banqueiro Daniel Vorcaro.
Ronaldo Bento: ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro, recebeu R$ 773 mil e posteriormente passou a ocupar cargos em empresas ligadas ao grupo Master.
Luiz Estevão / Portal Metrópoles: empresas ligadas ao ex-senador receberam R$ 27,2 milhões entre 2024 e 2025, valores associados a operações envolvendo o portal de notícias.
Ratinho (Rede Massa): apresentador de televisão recebeu R$ 24 milhões por meio de empresas vinculadas, em ações publicitárias relacionadas a produtos financeiros do grupo.
Luciano Huck / Grupo Globo: projetos patrocinados pelo grupo Master envolveram ações publicitárias e programas de televisão, incluindo iniciativas com premiações milionárias.
Léo Dias: jornalista teve empresa ligada ao seu grupo de comunicação que recebeu ao menos R$ 9,9 milhões em contratos publicitários.
ACM Neto: ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil, recebeu R$ 5,4 milhões por meio de empresa de consultoria.
Antônio Rueda: presidente do União Brasil recebeu R$ 6,4 milhões por intermédio de escritório de advocacia.
Guido Mantega: ex-ministro da Fazenda, recebeu R$ 14 milhões entre 2024 e 2025 por serviços de consultoria econômico-financeira.
Henrique Meirelles: ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, recebeu R$ 18,5 milhões por serviços de consultoria em macroeconomia e mercado financeiro.
Viviane Barci de Moraes: advogada (esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes) teve escritório vinculado a contrato que totaliza R$ 80,2 milhões em repasses identificados entre 2024 e 2025.
Dias Toffoli: ministro do STF teve empresa ligada a familiares envolvida em operação de R$ 6,7 milhões relacionada à venda de participação em empreendimento.
Kássio Nunes Marques: escritório do filho do ministro do STF recebeu R$ 6,6 milhões em operações realizadas entre 2024 e 2025.
Ricardo Lewandowski: ex-ministro do STF e da Justiça, recebeu R$ 6,1 milhões por meio de escritórios de advocacia ligados à família.
Os citados nas investigações apresentaram diferentes versões sobre os pagamentos. Em geral, as justificativas apontam para a prestação de serviços profissionais, como consultorias, assessorias jurídicas e contratos publicitários.
Alguns envolvidos afirmam que os acordos foram realizados dentro da legalidade e em períodos nos quais não exerciam funções públicas. Outros questionam a origem das informações, alegando que dados fiscais são protegidos por sigilo e não deveriam ter sido divulgados.

