A Polícia Federal identificou indícios de que o banqueiro Vorcaro teria administrado uma estrutura financeira paralela que movimentou aproximadamente R$ 114,6 milhões entre março e agosto de 2025. As informações constam em documentos analisados pelos investigadores e apontam para despesas elevadas com imóveis de luxo, aeronaves particulares, obras de arte e pagamentos recorrentes a integrantes considerados estratégicos dentro do grupo.
Segundo a apuração, os recursos teriam circulado por meio de empresas ligadas ao empresário e eram utilizados para diversas finalidades que agora são alvo de investigação. A PF busca esclarecer a origem dos valores e verificar se parte das operações serviu para ocultar patrimônio ou financiar atividades ilegais.
Investigações detalham pagamentos milionários
Os relatórios produzidos pela Polícia Federal revelam que um dos principais beneficiários dos repasses era Luiz Phillipi Machado de Morão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. Conforme os documentos, ele recebia pagamentos mensais de aproximadamente R$ 1 milhão.
As informações foram encontradas em planilhas encaminhadas por Fabiano Zettel e Ana Claudia de Paiva, apontados pelos investigadores como operadores financeiros vinculados à estrutura administrada pelo banqueiro. As mensagens analisadas indicam que havia orientação direta para que os pagamentos fossem realizados regularmente.
Mesmo diante de relatos internos sobre problemas relacionados à conduta de Morão, os registros mostram que a determinação era manter os depósitos programados. Em uma das mensagens obtidas pela corporação, a instrução era incluir o colaborador em uma lista de pagamentos mensais previamente definida.
Quem era o “Sicário” citado nas investigações
De acordo com a Polícia Federal, Morão exercia papel de confiança dentro da organização investigada. Os agentes apontam que ele atuava na execução de tarefas consideradas sensíveis e integrava um grupo denominado internamente como “A Turma”.
As investigações descrevem essa estrutura como uma espécie de milícia privada que teria sido utilizada para monitorar, pressionar e intimidar pessoas consideradas adversárias do banqueiro. Os investigadores continuam reunindo provas para determinar a extensão das atividades desenvolvidas pelo grupo e seus possíveis impactos.
PF investiga patrimônio e gastos atribuídos a Vorcaro
Outro ponto que chama a atenção das autoridades é a utilização de recursos para aquisição de bens de alto valor. Entre os gastos identificados estão investimentos em galerias de arte localizadas em São Paulo, além do uso frequente de aeronaves executivas.
A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que parte dessas operações possa ter sido utilizada para mascarar a origem dos recursos movimentados. Os investigadores também analisam se obras de arte e voos particulares foram empregados como mecanismos para lavagem de dinheiro ou para beneficiar pessoas próximas ao grupo.
As movimentações financeiras registradas no período investigado estão sendo cruzadas com informações bancárias, registros patrimoniais e documentos empresariais para verificar a legalidade das transações.
Empresa aparece como peça central da estrutura financeira
Entre as companhias citadas nos relatórios está a Super Empreendimentos S.A., apontada pelos investigadores como uma das principais engrenagens da estrutura financeira sob suspeita.
Segundo a PF, a empresa administrada por Fabiano Zettel e Ana Claudia de Paiva teria sido utilizada para realizar repasses e movimentações consideradas relevantes dentro do esquema. Os investigadores afirmam que parte dos recursos destinados a Morão passou pela companhia.
Além disso, a empresa também teria sido utilizada para investimentos em imóveis de alto padrão. Um dos bens citados na investigação é uma mansão localizada no Lago Sul, em Brasília, avaliada em cerca de R$ 36 milhões. Conforme os relatórios, o imóvel era utilizado para encontros com figuras dos meios político e jurídico.
Prisões e medidas judiciais
As investigações resultaram em medidas cautelares autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal. Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel foram presos preventivamente por decisão do ministro André Mendonça.
Já Ana Claudia de Paiva foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação. Luiz Phillipi Machado de Morão, por sua vez, morreu enquanto estava preso, após uma tentativa de suicídio, conforme informações registradas pelas autoridades.

