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16 de julho de 2026 16:14

OpiniãoMT > Blog > Polícia > Polícia Civil desarticula núcleo familiar que usava fachada religiosa para apoiar facção criminosa
Polícia

Polícia Civil desarticula núcleo familiar que usava fachada religiosa para apoiar facção criminosa

Jornalista Mauad
Publicado em: 16 de julho de 2026
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4 Minutos de Leitura
Foto: Polícia Civil
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira, dia 16 de julho, a Operação Fariseus. A ação, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) em conjunto com a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), visa desmantelar um grupo familiar que utilizava o pretexto de atividades missionárias dentro de unidades prisionais para prestar apoio logístico, financeiro e operacional a uma facção criminosa com base no Rio de Janeiro.

Foto: Polícia Civil

A FACHADA RELIGIOSA

As investigações tiveram início a partir de uma denúncia anônima que apontava o desvirtuamento de um projeto religioso que atuava dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE). Segundo as autoridades, o grupo familiar utilizava essa prerrogativa de “evangelistas” para viabilizar contatos proibidos entre detentos e lideranças externas, facilitar a troca de mensagens, a aproximação com familiares e a movimentação financeira ilícita.

Foto: Polícia Civil

Apesar de a entrega física de celulares não ter sido comprovada durante a coleta de evidências, a análise dos dados telemáticos apreendidos revelou uma realidade muito mais grave: registros fotográficos, vídeos e conversas que confirmam a simbiose entre os “missionários” e o crime organizado.

CONEXÃO COM O CRIME NO RIO DE JANEIRO

Um dos pontos mais chocantes da investigação é a relação estreita entre o núcleo familiar e criminosos de alta periculosidade no Rio de Janeiro. Diligências revelaram que os integrantes do grupo viajavam frequentemente para comunidades cariocas, onde se hospedavam em residências utilizadas por foragidos.

Foto: Polícia Civil

O material apreendido inclui registros audiovisuais de fuzis, pistolas, revólveres, carabinas e rádios comunicadores. Em uma das cenas investigadas, mulheres do projeto religioso aparecem em vídeo chamadas com lideranças foragidas da facção.

LAVAGEM DE DINHEIRO

A estrutura financeira do grupo era baseada na triangulação e dissimulação de valores. Integrantes da família recebiam quantias vindas de presos e lideranças da facção em contas pessoais e de terceiros. Esse dinheiro era utilizado para financiar um estilo de vida incompatível com a renda declarada, incluindo viagens, procedimentos estéticos e a aquisição de veículos.

Além disso, a investigação expôs o envolvimento direto dos suspeitos em decisões violentas da facção. Em uma das conversas interceptadas, uma das investigadas solicita a aplicação de um “salve”, punição física imposta pelo tribunal do crime, contra um homem acusado de furto. Também foram documentadas negociações para a venda de armamento escondido em uma propriedade rural pertencente à família.

CRIMES E MEDIDAS JUDICIAIS

O envolvimento de menores no esquema também foi constatado, com registros fotográficos que mostram crianças em contato com armamentos personalizados, além de fotos dos próprios investigados portando armas de fogo.

A operação desta quinta-feira cumpriu mandado de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão de dispositivos eletrônicos, além de ordens de quebra de sigilo telefônico, telemático e bancário. A justiça também determinou a suspensão do ingresso dos investigados em unidades prisionais.

O grupo familiar responderá por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, corrupção de menores e lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil destaca que as investigações continuam para identificar outros possíveis colaboradores e rastrear a totalidade dos valores movimentados pelo grupo sob o disfarce de atividade missionária.

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