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Leia: Operação mira advogados suspeitos de falsificar decisão para transferir líder de facção para Mato Grosso
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28 de outubro de 2026 11:25

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OpiniãoMT > Blog > Cuiabá > Operação mira advogados suspeitos de falsificar decisão para transferir líder de facção para Mato Grosso
Cuiabá

Operação mira advogados suspeitos de falsificar decisão para transferir líder de facção para Mato Grosso

Jornalista Mauad
Publicado em: 28 de outubro de 2026
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3 Minutos de Leitura
Foot: Reprodução / Montagem: Estadão Mato Grosso
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), deflagrou na manhã desta quarta-feira, dia 28 de outubro, a Operação Reescrita. A ação investiga uma suposta organização criminosa composta por advogados acusados de falsificar e utilizar documento público assinado por magistrado para beneficiar uma das principais lideranças do crime organizado no estado.

As equipes policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Cuiabá, sendo três em residências de investigados e um em escritório de advocacia. As diligências foram acompanhadas por representantes da Comissão de Defesa das Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).

O objetivo central da fraude, segundo as investigações, era viabilizar a transferência de Miro Arcângelo Gonçalves de Jesus, Miro Louco, da Penitenciária Federal de Catanduvas (PR) de volta para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.

Miro é apontado pelas forças de segurança como vice-presidente e um dos membros de uma facção criminosa com atuação em Mato Grosso. A suposta decisão forjada pretendia flexibilizar as condições da custódia e antecipar o término do período de permanência em presídio de segurança máxima determinado pela Justiça Federal.

Os advogados investigados na operação são: Pabline Mayara Barbosa Belfort Medeiros, Gerson Tome Trevisol e Felipe Augusto Dorileo de Rezende.

As investigações da GCCO/Draco apontam que os primeiros passos para a fraude ocorreram em junho de 2025, quando um pedido de transferência foi formalmente apresentado à Justiça. Em dezembro do mesmo ano, dois dos investigados compareceram ao gabinete de uma unidade judicial na capital exigindo providências para o cumprimento de uma suposta decisão favorável datada de novembro.

Na ocasião, eles apresentaram a cópia de um documento que foi encaminhado ao contato institucional do gabinete. Ao checarem os registros, servidores do Judiciário constataram que a decisão jamais fora proferida pelo magistrado responsável e nem constava no processo eletrônico de execução penal.

A análise técnica no arquivo digital revelou graves divergências. O código de validação do documento pertencia, na verdade, a outro processo totalmente alheio ao caso. Havia inconsistências visíveis em relação aos padrões de formatação dos documentos oficiais do sistema eletrônico do Judiciário. Além disso, a perícia identificou indícios diretos de que o arquivo foi editado manipulando elementos gráficos de decisões autênticas.

Segundo a Polícia Civil, uma das advogadas participou diretamente da elaboração ou edição do arquivo falso, enquanto os outros dois atuaram na apresentação e cobrança do cumprimento do documento fraudulento perante o Poder Judiciário.

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