*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Quatro servidores públicos municipais e uma empresária do ramo imobiliário foram presos na manhã desta quarta-feira, dia 28 de outubro, durante a deflagração da segunda fase da Operação Mãos à Obra, executada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). A ação mira um esquema enraizado de corrupção na aprovação de loteamentos, emissão de licenças e regularização de empreendimentos na Prefeitura de Sinop, no norte de Mato Grosso.
Ao todo, a Justiça Estadual expediu cinco mandados de prisão preventiva, 17 mandados de busca e apreensão, determinou o afastamento cautelar de seis servidores e autorizou o bloqueio de bens de até R$ 80 milhões nas contas dos investigados para assegurar futuro ressarcimento ao erário.
A apuração do Gaeco apontou a participação direta de técnicos do Executivo municipal e empresários na tramitação privilegiada de projetos da construção civil. Foram detidos preventivamente:
-Fernando Dante Morari — Engenheiro civil da Prefeitura de Sinop;
-Júlio Henrique Verdu Garcia — Engenheiro civil da Prefeitura de Sinop;
-Valdinei Monteiro da Silva — Servidor público (já havia sido alvo na 1ª fase da operação);
-Agnaldo Rael da Silva — Servidor público municipal;
-Débora Alvarenga Nakanishi da Silva — Empresária e sócia da Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.
A decisão judicial também autorizou o cumprimento de ordens de busca e apreensão nos endereços de diversos profissionais do setor e agentes públicos apontados como integrantes ou beneficiários da engrenagem ilícita:
-Arquitetas: Bruna Maia de Freitas e Grazielly Stolarski;
-Fiscal de Obras: Samuel de Sousa Vieira;
-Engenheiros e Corretores: Charles Correia da Costa, Roni de Souza (engenheiro, empresário e agente penitenciário) e Laércio Ronei Schorr (corretor de imóveis);
-Empresários: Danielle da Silva Otaviano Garcia, Felipe Gabriel Russo e Antônio Benedito Rodrigues (ligado à Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.).
ESTUTURA DO ESQUEMA
De acordo com as investigações do Ministério Público, o esquema operava de forma contínua desde 2017 no âmbito da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop. Servidores exigiam e recebiam propina de construtores e loteadores para agilizar a aprovação de projetos arquitetônicos, emissão de alvarás e concessão de certidões de habite-se.
A primeira fase da operação ocorreu em 28 de julho, quando foram cumpridos três mandados de busca e apreensão. Na ocasião, o fiscal de obras Lucemar Felix acabou preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo ao ser flagrado com uma pistola calibre 6.35 e 21 munições.

