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Leia: Motorista de aplicativo é emboscado e torturado por mais de 6 horas antes de ser executado por facção
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Polícia

Motorista de aplicativo é emboscado e torturado por mais de 6 horas antes de ser executado por facção

Jornalista Mauad
Publicado em: 24 de outubro de 2025
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5 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

A morte brutal do motorista de aplicativo Daferson da Silva Nunes, de 34 anos, encontrado amarrado e com três tiros na cabeça na Estrada da Guia, em Cuiabá, na última quarta-feira, dia 22 de outubro, está sendo tratada pela Polícia Civil como uma execução sumária cometida por membros de uma facção criminosa. O crime teria sido uma represália por uma acusação de estupro feita por uma passageira.

As investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) revelaram detalhes chocantes sobre a ação dos criminosos, que emboscaram e torturaram a vítima por mais de seis horas antes de matá-la.

O caso que motivou a ação da facção teve início na noite de segunda-feira, dia 20 de outubro. A Polícia Civil de Várzea Grande atendeu a uma ocorrência de estupro no bairro Jardim Glória, onde uma jovem denunciou ter sido violentada por um motociclista de aplicativo. Segundo o relato, a vítima solicitou uma corrida, mas o motorista desviou do trajeto, a levou para um local ermo e cometeu o crime. A jovem procurou a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso e solicitou uma medida protetiva.

A acusação rapidamente circulou em grupos de WhatsApp, e Daferson da Silva Nunes passou a ser jurado de morte pela facção criminosa, que age como uma espécie de “tribunal” paralelo. Tentando se defender da repercussão e das ameaças, Daferson registrou um Boletim de Ocorrência negando o estupro e, em seguida, cometeu o erro fatal de contactar os membros da facção para tentar provar sua inocência.

Os criminosos, ao invés de ouvi-lo, marcaram um encontro e o emboscaram.

O delegado Michel Paes, da DHPP, detalhou a crueldade da execução e fez um duro alerta sobre a atuação desses grupos:

“A vítima foi refém das redes sociais, porque circulou nos grupos de WhatsApp, que ele estava decretado, que ia morrer. Ele quis se defender, fez um boletim de ocorrência e, em seguida, ele mesmo foi contactar o pessoal, falando: ‘Não fui eu’. E eles disseram: ‘Não, está tudo bem, só queremos saber se foi você mesmo.’ Marcaram um lugar para se encontrar e, achando que, de fato, alguém ia escutar, morreu”.

Conforme as investigações, pelo menos cinco membros da facção, que se autointitulam “justiceiros”, participaram do crime. A tortura foi prolongada e extremamente violenta.

“A forma como ele estava amarrado, parecendo um animal, pelos pés, sem conseguir se movimentar. Foi muito tempo de tortura. Do momento em que ele encontrou esses indivíduos até a hora provável da morte, foi mais ou menos seis horas, talvez até mais,” relatou o delegado Paes. “As vestes dele estavam todas rasgadas, foi arrastado no chão. Pelo olho dele, dava para ver os hematomas que já existiam ali antes mesmo dele ser morto, porque os hematomas acontecem com a pessoa viva.”

Paes criticou a postura dos criminosos, que agem à margem da lei.

“O membro da facção criminosa se auto-intitula o justiceiro da sociedade e que, sem nenhuma técnica de investigação, sem nenhuma legalidade, sem nenhuma autorização do Estado, pratica fatos mais graves do que as próprias vítimas que eles acham que estão julgando. E o pior de tudo é que agem como se fossem justiceiros do bem da sociedade. Não é verdade. Eles são piores.”

O delegado ressaltou que a justiça só pode ser feita pelo Estado. Ele lamentou que o homicídio tenha impedido o andamento da investigação de estupro, que já estava em curso: “Se não tivesse acontecido isso, a doutora Jéssica Assis teria representado pela prisão desse autor e ele estaria respondendo preso se a justiça autorizasse, até que realmente o Estado julgasse e essa pessoa viesse a ser condenada de acordo com a lei”.

PROVAS E CONTINUIDADE DA INVESTIGAÇÃO

A Polícia constatou a presença de sêmen tanto nas roupas da vítima quanto em sua parte íntima. Um laudo de confronto genético com o DNA de Daferson está sendo realizado para confirmar a autoria do estupro, cuja investigação corre em paralelo.

A DHPP reforça que não há nenhuma suspeita de envolvimento da jovem vítima de estupro na morte de Daferson.

As autoridades seguem agora na busca pelos pelo menos cinco membros da facção criminosa envolvidos na emboscada, tortura e execução do motorista de aplicativo.

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