*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Novos detalhes do inquérito da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) na última terça-feira, dia 20 de outubro, revelam gravíssimas acusações de corrupção, compra de votos e tentativa de loteamento de serviços públicos na Câmara Municipal de Várzea Grande.
Em depoimento prestado, o vereador Caio Cordeiro (Novo) relatou que o presidente da Casa de Leis, Wanderley Cerqueira (MDB), teria afirmado que haveria a possibilidade de distribuir R$ 500 mil a cada vereador caso fosse concretizada a concessão ou privatização do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG). Segundo o relato, Wanderley demonstrava direto interesse na transferência da autarquia para a iniciativa privada e acenava com o repasse de valores milionários aos parlamentares para garantir o avanço do projeto.
O depoimento do parlamentar do Novo detalhou ainda como funcionavam as supostas negociações para a disputa pelo comando do Poder Legislativo municipal. Caio Cordeiro afirmou que Wanderley Cerqueira lhe ofereceu R$ 100 mil em espécie para que votasse na reeleição à presidência da Câmara.
De acordo com a denúncia, o dinheiro estaria guardado dentro de uma sacola, em um escritório localizado na residência da mãe de Wanderley, imóvel que era utilizado como quartel-general para reuniões e articulações políticas sigilosas. Caio assegura ter recusado sumariamente a oferta.
Além da verba para a Mesa Diretora, o depoimento trouxe à tona outras duas propostas. Wanderley teria mencionado a interlocutores que recebia até R$ 200 mil mensais em auxílio financeiro para manter o apoio da base parlamentar. Caio Cordeiro ressalvou ao Gaeco, contudo, que não possui provas documentais de que outros colegas efetivamente recebessem essa quantia.
O vereador relatou ter recebido uma oferta de R$ 10 mil mensais, intermediada por Rômulo Botelho, que seria custeada pela empresa União Transporte e Turismo Ltda. O objetivo do “mensalinho” seria neutralizar e interromper as fiscalizações que Caio vinha realizando no serviço de transporte coletivo do município.
A denúncia ainda não esclarece se a proposta apresentada foi aceita por outros agentes nem comprova, até o momento, a efetiva realização de todos os pagamentos mencionados.
MEGAOPERAÇÃO ATINGIU 13 VEREADORES DE VÁRZEA GRANDE E PRESIDENTE ELEITO DA CÂMARA DE CUIABÁ
A Operação Cathedra Venalis mobilizou cerca de 200 policiais civis e militares e promotores do Gaeco para o cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
A ofensiva devassou gabinetes e residências de 13 vereadores de Várzea Grande, além de dois parlamentares da Capital, servidores públicos e diretores administrativos das Casas Leis.
Na Câmara de Cuiabá, um dos alvos de busca e apreensão foi o vereador Ilde Taques, em um momento de alta sensibilidade política: no último dia 6 de outubro, Taques havia sido eleito por unanimidade (27 votos) como o novo presidente do Legislativo cuiabano para o biênio 2027/2028.
Relação dos principais investigados em Várzea Grande:
Wanderley Cerqueira (MDB) – Presidente da Câmara Municipal;
Lorineide Aparecida Trindade Inha – Diretora Financeira do Legislativo;
Samir Japonês (PL) – Secretário Legislativo;
Vereadores investigados: Alessandro Moreira (MDB), Braz Jaciro (PSDB), Cilcinho (PV), Denival Galibert (PSB), Emerson Cesar (PP), Gisa Barros (Podemos), Kleberton Feitoza (PSB), Lucélia Oliveira (Agir), Miguel Angel (Cidadania), Raul Curvo (Republicanos), Rogerinho da Dakar (PSDB) e Wender Silva (Republicanos).
Todo o material apreendido durante a operação, incluindo mídias digitais, celulares, computadores e documentos contábeis, passará por periciais técnicas minunciosas no Gaeco para balizar o oferecimento de denúncias criminais por corrupção passiva, ativa, associação criminosa e compra de votos.

