O mercado financeiro revisou para baixo a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (24), a expectativa passou de 1,98% para 1,95%. A projeção foi elaborada a partir de consultas realizadas com mais de 100 instituições financeiras e indica uma perspectiva de ritmo mais moderado para a economia brasileira neste ano.
PIB deve crescer em ritmo mais lento em 2026
A nova estimativa representa uma pequena redução na expectativa dos analistas para o desempenho da economia nacional. A projeção ocorre após o PIB brasileiro ter avançado 2,3% em 2025, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Produto Interno Bruto é utilizado para acompanhar a produção de bens e serviços dentro de um país durante determinado período. A evolução do indicador é um dos principais parâmetros utilizados para avaliar o desempenho da atividade econômica.
Para 2027, os economistas consultados pelo Banco Central mantiveram em 1,5% a previsão de expansão do PIB. Dessa forma, as estimativas apontam para uma economia crescendo em velocidade inferior à registrada em 2025.
Medidas econômicas e controle da inflação
O cenário projetado pelos analistas ocorre em um momento no qual o governo vem adotando medidas destinadas a estimular a atividade econômica e diminuir o nível de endividamento das famílias.
A expectativa é que iniciativas desse tipo possam contribuir para manter a demanda por produtos e serviços. Ao mesmo tempo, uma atividade econômica mais aquecida pode dificultar o processo de redução das pressões sobre os preços.
O Banco Central tem indicado que uma desaceleração da economia faz parte do processo de combate à inflação. Nesse contexto, um crescimento menor do PIB pode contribuir para reduzir pressões de demanda e auxiliar no processo de convergência da inflação para a meta.
Inflação permanece acima da meta
As projeções do mercado financeiro para a inflação de 2026 permaneceram inalteradas pela segunda semana consecutiva. Os economistas consultados pelo Banco Central continuam estimando alta de 5,02% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano.
A previsão ocorre em meio a fatores externos que podem afetar os preços no Brasil. Entre eles está o cenário de tensão no Oriente Médio, que provocou movimentos de alta nas cotações internacionais do petróleo. Uma eventual continuidade desse cenário pode elevar os custos dos combustíveis e exercer pressão adicional sobre a inflação brasileira.
Para 2027, a expectativa de inflação passou de 4,24% para 4,25%. Já as projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 3,80% e 3,50%, respectivamente.
Meta de inflação
Desde o início de 2025, o Brasil utiliza o sistema de meta contínua para a inflação. O objetivo estabelecido é manter o índice em 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,50% e 4,50%. A projeção de 5,02% para 2026, portanto, permanece acima do limite superior considerado dentro da faixa de tolerância da meta.
Mercado mantém previsão de cortes na Selic
As instituições financeiras também mantiveram a expectativa de redução da taxa básica de juros ao longo de 2026 e nos anos seguintes. Atualmente, a taxa Selic está em 14% ao ano, após quatro reduções realizadas neste ano. Para o encerramento de 2026, a estimativa do mercado permaneceu em 13,75% ao ano, indicando a possibilidade de mais um corte até o final do período.
Para 2027, os analistas mantiveram a previsão de que a Selic termine o ano em 12% ao ano. Já para 2028, a projeção continua em 10,50% ao ano.
A trajetória dos juros é acompanhada de perto porque influencia o custo do crédito, o consumo das famílias, os investimentos das empresas e, consequentemente, o ritmo de atividade econômica e do PIB.
Dólar deve terminar 2026 em R$ 5,20
As expectativas para o mercado de câmbio também apresentaram poucas alterações. Para o encerramento de 2026, os economistas consultados pelo Banco Central mantiveram em R$ 5,20 a previsão para a cotação do dólar. Para 2027, entretanto, houve uma pequena revisão. A estimativa passou de R$ 5,29 para R$ 5,30 por dólar.
A cotação da moeda norte-americana é influenciada por fatores internos e externos, incluindo decisões de política econômica, cenário internacional, fluxo de investimentos e condições dos mercados financeiros.

