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Leia: ‘Taxa das blusinhas’ retornará em 2027, mas com imposto diferente
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19 de junho de 2026 09:15

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OpiniãoMT > Blog > Governo Lula > ‘Taxa das blusinhas’ retornará em 2027, mas com imposto diferente
Governo Lula

‘Taxa das blusinhas’ retornará em 2027, mas com imposto diferente

Nova CBS substituirá imposto de importação em compras internacionais e poderá impactar a Taxa das blusinhas a partir de 2027.

última atualização: 19 de junho de 2026 08:46
Redação OPMT
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6 Minutos de Leitura
'Taxa das blusinhas' retornará em 2027, mas com imposto diferente
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A Taxa das blusinhas voltou ao centro do debate tributário após a confirmação de que a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) passará a incidir sobre compras internacionais de baixo valor a partir de 2027. O novo tributo integra a reforma tributária sobre o consumo e substituirá parte da atual estrutura de cobrança aplicada às importações, incluindo encomendas enviadas por plataformas estrangeiras para consumidores brasileiros.

A alíquota definitiva da CBS ainda não foi estabelecida. O percentual está sendo calculado pela Receita Federal em conjunto com o Tribunal de Contas da União (TCU) e deverá ser oficializado por meio de resolução do Senado Federal até o fim de 2026.

Como funcionará a CBS nas compras internacionais

A CBS foi criada dentro da reforma tributária para unificar a tributação sobre o consumo em âmbito federal. Diferentemente do antigo imposto de importação aplicado às compras internacionais de pequeno valor, a nova contribuição seguirá as mesmas regras para produtos nacionais e importados.

Outro ponto importante é que a cobrança não estará vinculada ao limite de US$ 50, utilizado anteriormente como referência para a incidência do imposto de importação. Dessa forma, a CBS passará a ser aplicada independentemente do valor da mercadoria adquirida.

O tributo já começou a aparecer de forma informativa em 2026, durante uma fase de transição. No entanto, sua cobrança integral ocorrerá somente a partir de 2027.

Taxa das blusinhas e a mudança na tributação

A discussão sobre a Taxa das blusinhas ganhou força nos últimos anos devido ao crescimento das compras em plataformas internacionais. A medida foi implementada para reduzir a diferença tributária entre produtos vendidos por empresas instaladas no Brasil e mercadorias importadas de baixo valor.

Entretanto, em maio deste ano, o governo federal decidiu revogar a cobrança que incidia sobre essas compras. A mudança ocorreu por meio de uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e posteriormente regulamentada pelo Ministério da Fazenda.

A retirada da cobrança ocorreu em meio ao período eleitoral e provocou reações distintas entre consumidores e representantes do setor produtivo.

Alíquota ainda depende de definições futuras

Embora o percentual oficial ainda não tenha sido divulgado, estimativas indicam que a CBS poderá alcançar cerca de 9,43% em 2027. O número foi calculado pela consultoria Roit com base nas regras atualmente previstas para a reforma tributária.

Inicialmente, em 2024, a expectativa do governo era de uma alíquota próxima de 8,8%. Contudo, alterações posteriores na legislação, incluindo tratamentos diferenciados para segmentos como medicamentos e carnes, influenciaram as projeções.

Segundo integrantes da área econômica, o objetivo é preservar o nível atual de arrecadação sobre o consumo sem elevar a carga tributária total do sistema.

Relação entre a CBS e o imposto seletivo

Outro fator que influenciará a definição da alíquota da CBS é o chamado imposto seletivo, popularmente conhecido como “imposto do pecado”.

Esse tributo será aplicado sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como bebidas alcoólicas, cigarros, refrigerantes e veículos altamente poluentes.

As alíquotas específicas ainda serão definidas pelo Congresso Nacional. Caso o Legislativo estabeleça percentuais menores para esses itens, a CBS poderá ter uma alíquota mais elevada para compensar a arrecadação necessária à manutenção do sistema tributário.

Transição para o novo modelo tributário

Entre 2029 e 2032, o Brasil passará por uma etapa de transição envolvendo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto Sobre Serviços (ISS).

Durante esse período, esses tributos serão gradualmente substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que será administrado por estados e municípios.

Ao final da transição, a CBS federal e o IBS formarão a nova estrutura de tributação sobre o consumo. As estimativas atuais apontam para uma carga conjunta de aproximadamente 26,5%, índice considerado elevado em comparação internacional.

O novo sistema também abrangerá mercadorias importadas, ampliando a incidência tributária sobre operações realizadas por plataformas estrangeiras.

Setor varejista defende manutenção da tributação

Entidades que representam grandes varejistas brasileiros avaliam que a cobrança da CBS sobre produtos importados ajuda a reduzir distorções concorrenciais existentes no mercado.

Representantes do setor argumentam que empresas nacionais enfrentam uma carga tributária significativamente superior à observada em parte das compras internacionais realizadas por consumidores brasileiros.

Além da CBS, essas entidades defendem a retomada do imposto de importação para encomendas de pequeno valor, sustentando que a medida contribuiria para criar condições mais equilibradas de concorrência entre o comércio nacional e plataformas estrangeiras.

Governo mantém estudos sobre a nova alíquota

Questionado sobre os impactos da CBS nas compras internacionais e sobre a eventual equiparação tributária entre produtos nacionais e importados, o Ministério da Fazenda não apresentou posicionamento detalhado.

A pasta informou apenas que os estudos continuam sendo desenvolvidos em conjunto com o TCU e seguem as diretrizes estabelecidas pela Emenda Constitucional nº 132 e pela Lei Complementar nº 214. A definição da alíquota final deverá ocorrer até o encerramento de 2026, permitindo a implementação definitiva do novo modelo tributário no ano seguinte.

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