*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Um crime chocou o município de Nova Bandeirantes e o estado de Mato Grosso no último fim de semana. Eliene Luzanira da Silva, de 38 anos, foi morta com diversos golpes de faca na manhã do último sábado, dia 22 de agosto. O feminicídio foi presenciado pelo filho da vítima, de apenas 7 anos, que tentou impedir a violência implorando pela vida da mãe.

O autor do crime é o marido da vítima e padrasto da criança, Elessandro Riguer Bispo, de 35 anos, que foi preso na zona rural do município após se entregar à polícia.
O feminicídio de Eliene Luzanira da Silva representa a 32ª vítima deste tipo de crime letal no estado de Mato Grosso e a segunda registrada em Nova Bandeirantes. O caso também marca a quarta morte violenta de mulheres motivada por gênero no estado apenas no mês de agosto, conforme os dados consolidados do Observatório Caliandra, vinculado ao Ministério Público.
De acordo com as informações apuradas, o casal e a criança estavam passando uma temporada na residência do pai de Eliene, um idoso, para auxiliá-lo nos cuidados com a saúde.
No momento do crime, o avô estava sentado na cama, dentro de um dos quartos da casa, quando ouviu os gritos desesperados do neto: “Para, pai, não faz isso”. A princípio, o idoso pensou que Elessandro estivesse repreendendo ou agredindo a criança. Contudo, diante da insistência e dos gritos do menino, o homem decidiu sair do quarto para verificar o que estava acontecendo.
Ao chegar à cozinha, o pai de Eliene deparou-se com a filha caída ao chão, gravemente ferida, enquanto o genro permaneceu em pé, segurando uma faca que foi posteriormente encontrada próxima ao corpo.
Num ato de desespero para socorrer a filha, o idoso empurrou Elessandro. Em reação, o agressor apontou a faca para o sogro, embora não o tenha atingido. Em seguida, Elessandro fugiu correndo, montou em uma motocicleta e escapou do local.
Em seguida, a criança de 7 anos pegou a bicicleta, saiu para a rua e começou a gritar por socorro, alertando os vizinhos.
RELACIONAMENTO E HISTÓRICO DE AMEAÇAS
Familiares relataram que o relacionamento do casal aparentava ser tranquilo e que nunca haviam presenciado episódios anteriores de agressão. No entanto, após o assassinato, parentes tomaram conhecimento por terceiros de que Eliene havia dito que sofria ameaças do marido, que dizia que iria “cortar o seu pescoço” motivado por ciúmes e suspeitas de traição.
PRISÃO DO SUSPEITO
Após cometer o crime, Elessandro Riguer Bispo fugiu e permaneceu foragido. As diligências da Polícia Civil culminaram na localização do suspeito em um sítio pertencente ao pai dele, na zona rural de Nova Bandeirantes.
Ao perceber a aproximação das equipes policiais na região, o foragido entrou em contato com um amigo, que o convenceu a se entregar e o conduziu até a delegacia local.
Durante o interrogatório, Elessandro confessou o homicídio e alegou ter cometido o crime após uma discussão motivada por uma suposta traição da esposa. A autoridade policial responsável pelo caso já representou pela decretação da prisão preventiva do suspeito, que agora permanece à disposição da Justiça.

