A Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), representada pela procuradora Francielle Brustolin, participou da inauguração da Oficina de Costura Escola Ana Maria do Couto May, instalada nas dependências da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
A estrutura foi criada para ampliar as oportunidades de trabalho e qualificação profissional para mulheres privadas de liberdade, fortalecendo o processo de ressocialização e preparando-as para o retorno à sociedade.
Durante a solenidade, a procuradora da ALMT Francielle Brustolin destacou que a presença da Procuradoria da Mulher reforça o compromisso da Assembleia Legislativa com políticas públicas voltadas à proteção, capacitação e autonomia feminina.
“Essas mulheres muitas vezes são invisíveis aos olhos da sociedade. A ressocialização passa pela capacitação e pela oportunidade de vislumbrar um futuro. Quando elas saem com uma profissão, têm mais condições de recomeçar e construir uma nova história”, afirmou.
A oficina conta com uma estrutura de mais de 1.000 m², com 91 máquinas de costura adquiridas pela Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (SAAP), em um investimento total de R$ 6.889.385,20. O espaço possui área de produção, estoque de matéria-prima e de produtos finalizados, além de refeitório e área de descanso. A jornada de trabalho será de oito horas diárias, e o projeto prevê a oferta de 120 vagas de trabalho remunerado para reeducandas.
A iniciativa da oficina é do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), com a execução da Fundação Nova Chance (Funac). Já a capacitação profissional das reeducandas foi realizada em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), responsável pela formação técnica das participantes.
A oficina será responsável pela produção de uniformes escolares para a rede estadual de ensino, contribuindo para a redução de custos para o governo e fortalecendo a política de reinserção social por meio do trabalho.
O presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles, explicou que o projeto prevê a fabricação inicial de 110 mil peças de vestuário em um período de seis meses, além da possibilidade de expansão para outras demandas, como uniformes para creches, unidades de saúde e órgãos públicos.
A procuradora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Josane Carvalho, destacou que a qualificação profissional é uma ferramenta essencial para transformar vidas e fortalecer a reinserção social.
Ela ressaltou que a maioria das mulheres privadas de liberdade é composta por mães e que a oportunidade de trabalho e capacitação contribui diretamente para a reconstrução dos vínculos familiares e para a redução da reincidência criminal.
A diretora da Penitenciária Feminina, Keily Marques, ressaltou que a oficina representa a realização de um sonho e abre novas perspectivas para as mulheres que desejam mudar de vida.
“Estamos oportunizando capacitação e certificação para que elas possam, quando saírem do cárcere, reintegrar-se à sociedade de forma digna, com uma profissão e condições de sustentar suas famílias”, destacou.
Uma das beneficiadas pelo curso, a reeducanda Renata dos Santos, de 39 anos, afirmou que a capacitação representa uma nova chance de recomeço e de construção de um futuro diferente.
“Saindo daqui, é muito importante já ter aprendido uma profissão. A gente passa a ter uma oportunidade de trabalhar lá fora, de seguir um caminho melhor e não voltar mais para um lugar desse. Eu pretendo continuar na costura e construir uma nova história”, relatou.
*Vânia Costa

