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12 de agosto de 2026 14:52

OpiniãoMT > Blog > Governo Lula > Após pressão de Janja, governo suspende lives do Discord no Brasil
Governo Lula

Após pressão de Janja, governo suspende lives do Discord no Brasil

ANPD determina suspensão de transmissões ao vivo do Discord no Brasil até que a plataforma adote medidas para proteger menores.

Redação OPMT
Publicado em: 12 de agosto de 2026
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6 Minutos de Leitura
Após pressão de Janja, governo suspende lives do Discord no Brasil
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A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou nesta quarta-feira, 12, a suspensão das transmissões ao vivo e de outras funcionalidades de compartilhamento de vídeos do Discord no Brasil. A medida deverá começar a ser aplicada em até três dias e permanecerá em vigor até que a plataforma demonstre ter implementado mecanismos considerados adequados para proteger crianças e adolescentes.

ANPD determina suspensão de recursos do Discord

A decisão foi tomada durante um procedimento de fiscalização conduzido pela ANPD, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Além da interrupção das transmissões ao vivo, a determinação alcança outros recursos relacionados ao compartilhamento de vídeos disponíveis na plataforma.

A agência informou que a suspensão permanecerá enquanto não forem apresentadas medidas suficientes para atender às exigências relacionadas à proteção de menores de idade. Em caso de descumprimento, poderá ser aplicada uma multa diária, cujo valor ainda será definido.

O Discord terá prazo de dez dias úteis para apresentar recurso contra a decisão. Paralelamente, a apuração poderá avançar para um processo sancionador, caso a ANPD identifique que a empresa não está conseguindo cumprir as obrigações previstas na legislação.

Fiscalização começou após morte de adolescente

O procedimento de fiscalização foi aberto pela ANPD na sexta-feira, 7, depois da morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. A partir da abertura do processo, a plataforma recebeu inicialmente cinco dias úteis para apresentar informações sobre as medidas utilizadas para impedir situações graves envolvendo crianças e adolescentes.

Entre os pontos analisados pela agência estão os mecanismos empregados para verificar a idade dos usuários, identificar materiais considerados ilegais e retirar conteúdos que possam representar riscos aos menores.

Órgão também analisa conteúdos de risco

A fiscalização também envolve os procedimentos utilizados pela plataforma para comunicar ocorrências consideradas graves às autoridades competentes. Outro aspecto analisado é a capacidade do Discord de impedir que crianças e adolescentes tenham acesso a conteúdos associados a comportamentos autodestrutivos.

Segundo a ANPD, as informações apresentadas pela empresa até o momento não foram suficientes para eliminar as preocupações relacionadas às transmissões ao vivo e aos mecanismos de fiscalização existentes na plataforma.

Janja defendeu bloqueio da plataforma

A discussão sobre possíveis medidas contra o Discord ganhou força na quinta-feira, 6, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto. Na ocasião, a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, defendeu uma ação para retirar a plataforma do ar no Brasil.

Durante o evento, que marcou a sanção de uma lei voltada ao combate à violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital, Janja mencionou a morte da adolescente de 13 anos e cobrou providências diante do caso.

A primeira-dama também afirmou que episódios envolvendo menores de idade e riscos em ambientes digitais precisariam ser tratados pelas autoridades. Na ocasião, ela defendeu uma atuação conjunta entre órgãos públicos e o Judiciário para avaliar medidas contra a plataforma.

AGU anunciou possibilidade de ação judicial

Também durante a cerimônia, o advogado-geral da União, Jorge Messias, informou que a Advocacia-Geral da União (AGU) avaliaria o ingresso de uma ação civil pública contra o Discord.

A eventual ação poderá discutir a responsabilização da empresa e a adoção de medidas relacionadas ao funcionamento do serviço no país. Caso o processo seja levado à Justiça, caberá ao Poder Judiciário analisar os pedidos apresentados e decidir sobre eventuais determinações à plataforma.

Governo realizou reuniões com a empresa

Antes da decisão da ANPD, representantes do governo federal participaram de reuniões com integrantes do Discord para discutir medidas destinadas a ampliar a proteção de crianças e adolescentes.

Nas conversas estiveram equipes do Ministério da Justiça, da Advocacia-Geral da União, da Polícia Federal e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Na segunda-feira, 10, a empresa apresentou um plano contendo medidas e procedimentos destinados a corrigir problemas apontados durante as tratativas e atender às exigências legais. A proposta, entretanto, não foi considerada suficiente pela ANPD.

No dia seguinte, terça-feira, 11, representantes da plataforma participaram de uma nova reunião com os diretores da agência. Após analisar as informações apresentadas, o órgão concluiu que os dados fornecidos sobre os mecanismos de controle das transmissões ao vivo ainda não eram suficientes para afastar as preocupações existentes.

Próximos passos da fiscalização

Com a decisão anunciada nesta quarta-feira, o Discord terá dez dias úteis para recorrer administrativamente. A plataforma também precisará demonstrar a adoção de medidas capazes de atender às exigências estabelecidas pela ANPD para a proteção de crianças e adolescentes.

A fiscalização continuará sendo conduzida pelo órgão, que poderá avaliar novas informações apresentadas pela empresa. Dependendo das conclusões obtidas durante o procedimento, a ANPD poderá instaurar um processo sancionador.

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