O governo brasileiro confirmou o início da nova política de isenção de visto para cidadãos chineses que desejam entrar no Brasil em viagens de curta duração. A medida entrou em vigor nesta segunda-feira (11) e faz parte de um acordo bilateral firmado entre Brasil e China, permitindo que moradores dos dois países realizem visitas de até 30 dias sem a necessidade do documento consular.
Os brasileiros já estavam autorizados a viajar para a China sem visto desde maio de 2025. Agora, a reciprocidade passa a valer também para turistas chineses que pretendem visitar o território brasileiro. O acordo permanecerá válido até 31 de dezembro de 2026.
A iniciativa contempla diferentes tipos de viagem, incluindo turismo, compromissos empresariais, intercâmbios culturais, participação em eventos esportivos, visitas familiares e congressos internacionais.
Acordo sem visto visa impulsionar turismo entre Brasil e China
A expectativa do governo federal é que a flexibilização das regras de entrada contribua para ampliar o fluxo de turistas chineses no Brasil. A medida chega em um momento positivo para o setor turístico brasileiro, que alcançou números recordes em 2025, superando a marca de 9,2 milhões de visitantes estrangeiros.
Além de fortalecer o turismo, o acordo também busca estreitar os laços diplomáticos e econômicos entre os dois países. O entendimento bilateral ocorreu durante as celebrações do “Ano Cultural Brasil–China”, iniciativa voltada para ampliar o intercâmbio entre as nações em áreas como cultura, entretenimento e negócios.
O Ministério do Turismo vem trabalhando em ações específicas para receber melhor os visitantes chineses. Entre elas está a ampliação do programa Approved Destination Status (ADS), que habilita empresas brasileiras a operarem serviços voltados ao público da China.
Atualmente, aproximadamente 325 agências cadastradas no Cadastur estão autorizadas a atender grupos chineses, oferecendo suporte especializado durante a permanência dos turistas no país.
China deve liderar emissão global de turistas nas próximas décadas
Dados divulgados pela publicação “Tendências do Turismo 2026”, elaborada pelo Ministério do Turismo em parceria com a Embratur, apontam que a China deve figurar entre os maiores emissores de turistas do planeta até 2050, ao lado de países como Índia e Estados Unidos.
Durante seminário realizado no 10º Salão do Turismo, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou que o Brasil possui atrativos naturais que despertam interesse crescente do público chinês.
Segundo o ministro, regiões como a Amazônia, o Pantanal e outros biomas brasileiros estão entre os destinos mais procurados por turistas interessados em experiências ligadas à natureza, biodiversidade e ecoturismo.
Ampliação de voos é vista como prioridade
Representantes do setor turístico avaliam que o aumento da conectividade aérea será essencial para consolidar o crescimento do turismo chinês no Brasil. A ausência de voos diretos entre os dois países ainda é considerada um obstáculo para ampliar o número de visitantes.
O conselheiro cultural da embaixada chinesa no Brasil, Zhang Zhiyun, afirmou que as viagens longas e o excesso de conexões dificultam o deslocamento dos turistas. Segundo ele, existe uma demanda para maior cooperação entre companhias aéreas, especialmente em períodos de alta temporada.
Outro tema debatido foi a adoção de rotas integradas com escalas em outros países da América do Sul. A estratégia conhecida como “stopover” permitiria que turistas chineses visitassem diferentes destinos durante uma mesma viagem internacional.

