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Leia: A arrecadação do governo federal deve bater recorde de R$ 3,24 trilhões em 2026
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A arrecadação do governo federal deve bater recorde de R$ 3,24 trilhões em 2026

6 de setembro de 2026 09:13

OpiniãoMT > Blog > Governo Lula > A arrecadação do governo federal deve bater recorde de R$ 3,24 trilhões em 2026
Governo Lula

A arrecadação do governo federal deve bater recorde de R$ 3,24 trilhões em 2026

Receita do governo pode alcançar 23,7% do PIB em 2026, maior nível da série histórica, enquanto despesas continuam pressionando as contas públicas.

Redação OPMT
Publicado em: 6 de setembro de 2026
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8 Minutos de Leitura
R$ 3,24 trilhões: arrecadação do governo federal baterá recorde em 2026
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A arrecadação do governo federal deve alcançar R$ 3,24 trilhões em 2026, segundo estimativas da equipe econômica, representando aproximadamente 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado ocorre em um cenário marcado pelo aumento de impostos, maior arrecadação com petróleo e crescimento das despesas públicas.

A previsão consta na proposta de orçamento para 2027 encaminhada ao Congresso Nacional. Para o próximo ano, o governo estima receitas totais de R$ 3,46 trilhões, equivalentes a 23,4% do PIB. Apesar do crescimento nominal dos valores, a participação da arrecadação em relação ao tamanho da economia deverá apresentar uma pequena redução.

Receita do governo pode atingir maior nível em 30 anos

Caso a estimativa para 2026 seja confirmada, a receita total correspondente a 23,7% do PIB representará o maior percentual registrado pela série histórica da Secretaria do Tesouro Nacional, iniciada em 1997.

O resultado também superaria o recorde anterior, registrado em 2010, quando as receitas chegaram a 23,6% do PIB. Na média dos 29 anos entre 1997 e 2025, a arrecadação do governo federal correspondeu a cerca de 21,4% do PIB.

A chamada receita total considera os recursos obtidos pela União por diferentes meios. Além dos tributos, entram nessa conta receitas provenientes de concessões, royalties, dividendos e outras fontes de recursos.

Receita federal não é igual à carga tributária

O conceito utilizado na projeção orçamentária não deve ser confundido com a carga tributária brasileira. A receita total considerada pelo Tesouro envolve exclusivamente os recursos da União, sem incluir a arrecadação de estados e municípios.

Já a carga tributária engloba os impostos, contribuições e demais tributos recolhidos pelas três esferas de governo. Em 2024, esse indicador chegou a 32,1% do PIB, segundo dados da Secretaria da Receita Federal. O resultado consolidado referente a 2025 ainda não havia sido divulgado no cenário apresentado.

Impostos e petróleo ajudam a elevar arrecadação

O aumento da arrecadação ocorre em meio a uma série de mudanças na política tributária adotadas nos últimos anos. Entre as medidas estão alterações na cobrança sobre fundos exclusivos, empresas offshore, combustíveis, folha de pagamentos, setor de eventos, apostas esportivas, operações de crédito e câmbio, além de mudanças envolvendo juros sobre capital próprio e fintechs.

Também houve redução de benefícios fiscais e aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos. Outra medida mencionada é a cobrança de imposto sobre a exportação de petróleo.

Ao mesmo tempo, a exploração de petróleo tem contribuído para ampliar as receitas públicas. A estimativa oficial é de que a União obtenha R$ 172,1 bilhões em receitas relacionadas ao petróleo em 2026, o equivalente a 1,3% do PIB. Em 2025, esse montante havia sido de R$ 139,3 bilhões, ou 1,1% do PIB.

O aumento é atribuído, entre outros fatores, à valorização do petróleo no mercado internacional em meio às tensões e conflitos no Oriente Médio.

Principais mudanças na tributação

Entre as alterações tributárias implementadas nos últimos anos estão:

  • Mudanças na cobrança sobre fundos exclusivos e recursos mantidos no exterior;
  • Alterações na tributação de incentivos concedidos por estados;
  • Elevação dos impostos sobre combustíveis;
  • Retomada gradual da tributação sobre a folha de pagamentos;
  • Encerramento de benefícios concedidos ao setor de eventos;
  • Tributação das apostas esportivas;
  • Aumento do IOF sobre determinadas operações;
  • Mudanças na tributação dos juros sobre capital próprio;
  • Elevação da tributação aplicada às fintechs;
  • Redução de benefícios fiscais;
  • Aumento do imposto de importação sobre diversos produtos;
  • Criação de imposto de exportação sobre petróleo.

Em outra frente, o governo ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil. A mudança terá impacto na declaração de 2027. Também foi estabelecido um desconto progressivo para pessoas com rendimentos de até R$ 7.350 por mês.

Para compensar parte da perda de arrecadação provocada pela ampliação da isenção, foi criada uma cobrança mínima destinada aos contribuintes de maior renda. A alíquota será progressiva e poderá chegar a 10% para quem recebe mais de R$ 600 mil por ano.

Recomposição de receitas é prioridade no orçamento

A proposta de orçamento para 2027 dedica uma parte específica às medidas destinadas a recuperar receitas e promover alterações estruturais no sistema tributário.

De acordo com o governo, algumas medidas adotadas nos últimos anos tiveram como objetivo ampliar a arrecadação, corrigir distorções, reduzir benefícios considerados pouco eficientes e tornar a tributação mais progressiva.

Entre as ações citadas estão a tributação de recursos mantidos no exterior, aumento da tributação sobre cigarros, encerramento gradual de benefícios para empresas do setor de eventos, retomada da cobrança sobre a folha de salários, alterações no IOF e aumento de impostos sobre produtos importados.

A equipe econômica afirma que essas mudanças possuem impacto relevante sobre as contas da União e fazem parte do esforço para recompor a base de arrecadação federal.

Aumento da receita não elimina preocupação com as contas públicas

Apesar do crescimento das receitas, especialistas apontam que a situação fiscal permanece desafiadora. A avaliação é de que o avanço da arrecadação não tem sido suficiente para compensar o crescimento das despesas públicas.

A economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, avalia que o aumento dos tributos e a valorização do petróleo ajudam a sustentar a arrecadação mesmo diante de uma desaceleração da economia.

No segundo trimestre de 2026, o PIB brasileiro avançou 0,5%, abaixo do crescimento de 1,1% observado nos três primeiros meses do ano.

Mesmo com o desempenho das receitas, a expectativa é de que as contas públicas terminem 2026 com déficit primário próximo de 0,5% do PIB, segundo a avaliação citada.

Gastos crescem acima da arrecadação

Para o pesquisador do FGV IBRE Rafael Barros Barbosa, o aumento da dívida pública está relacionado principalmente ao ritmo de crescimento das despesas, que teria superado a expansão das receitas. A dívida do setor público consolidado chegou a 82,5% do PIB em agosto, segundo os dados apresentados. Esse foi o maior percentual desde abril de 2021, quando o indicador havia atingido 82,6% do PIB.

O pesquisador explica que, embora a arrecadação tenha avançado nos últimos anos, as despesas cresceram em ritmo ainda maior. Com isso, a relação entre a dívida pública e o tamanho da economia continua elevada.

O cenário também possui relação com a política monetária. Quando as despesas públicas superam as receitas, pode haver aumento da demanda e pressão sobre os preços. Nesse contexto, a manutenção de juros elevados é apontada como uma das consequências possíveis para conter as pressões inflacionárias.

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