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Leia: Exportações de carne bovina do Brasil para a China caem 89,83% em agosto
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6 de setembro de 2026 09:09

OpiniãoMT > Blog > Agronegócio > Exportações de carne bovina do Brasil para a China caem 89,83% em agosto
Agronegócio

Exportações de carne bovina do Brasil para a China caem 89,83% em agosto

Exportações de carne bovina para a China despencam no mês de agosto e atingem menor nível desde o ano de 2021.

Redação OPMT
Publicado em: 6 de setembro de 2026
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6 Minutos de Leitura
Exportações de carne bovina do Brasil para a China caem 89,83% em agosto
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As exportações brasileiras de carne bovina in natura para a China sofreram uma forte retração em agosto de 2026. O Brasil enviou cerca de 16 mil toneladas ao mercado chinês durante o mês, volume 89,83% inferior às 158 mil toneladas registradas em agosto do ano passado. O resultado representa o menor nível de embarques para o país asiático desde dezembro de 2021.

Exportações de carne bovina recuam em agosto

Os dados foram compilados pela Safras & Mercado a partir de informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria, o desempenho de agosto ficou muito abaixo do padrão observado nos últimos anos.

A quantidade embarcada para a China foi de aproximadamente 16,08 mil toneladas. A comparação com agosto de 2025 mostra uma queda expressiva, quando o Brasil havia enviado 158 mil toneladas de carne bovina ao país.

O resultado ocorre depois de um período de forte crescimento das exportações brasileiras ao mercado chinês, especialmente durante o segundo trimestre de 2026.

Embarques cresceram no segundo trimestre

Entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil exportou 1,205 milhão de toneladas de carne bovina para a China. O volume já corresponde a 108,99% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas estabelecida para as importações.

O ritmo de vendas externas aumentou principalmente nos meses de maio e junho. Em maio, os frigoríficos brasileiros embarcaram 154,8 mil toneladas para a China, crescimento de 39,42% em relação ao mesmo período de 2025.

Em junho, foram exportadas 158,3 mil toneladas, o que representou alta de 17,81% na comparação anual.

A partir de julho, entretanto, houve uma mudança significativa no fluxo comercial. Naquele mês, as exportações caíram para 82,7 mil toneladas, recuo de 47,78% frente a julho do ano anterior. Em agosto, a retração se aprofundou, com pouco mais de 16 mil toneladas embarcadas.

Cota tarifária afeta exportações de carne bovina

A queda nas vendas ocorre depois que o Brasil ultrapassou a cota tarifária definida pela China para a importação de carne bovina. Após o limite ser atingido, o produto que excede a quantidade estabelecida passa a estar sujeito à tarifa integral de importação.

Na prática, a cobrança adicional reduz a competitividade da carne bovina brasileira diante de outros fornecedores internacionais que ainda possuem espaço dentro de suas respectivas cotas.

O Brasil atingiu 108,99% do limite anual entre janeiro e agosto. Com isso, os frigoríficos passaram a enfrentar condições menos favoráveis para ampliar os embarques ao principal mercado comprador.

Outros países ainda têm espaço na cota chinesa

Enquanto o Brasil já ultrapassou sua cota anual, outros grandes exportadores ainda utilizavam apenas parte dos volumes autorizados pela China.

Até julho, a Argentina havia utilizado 52,40% de sua cota de 511 mil toneladas. O Uruguai, por sua vez, havia ocupado 28,05% do limite de 324 mil toneladas.

A Nova Zelândia tinha utilizado 36,44% de uma cota de 206 mil toneladas. Já os Estados Unidos apresentavam utilização de apenas 0,60% de um limite de 164 mil toneladas.

Esses números indicam que fornecedores concorrentes ainda possuem margem para aumentar a participação no mercado chinês, enquanto os exportadores brasileiros enfrentam restrições adicionais após o limite anual ter sido ultrapassado.

Frigoríficos brasileiros buscam alternativas

A forte redução das exportações de carne bovina para a China também representa um desafio para os frigoríficos brasileiros. O país asiático é um dos principais destinos da produção nacional e possui participação relevante na composição das vendas externas do setor.

Com a redução dos embarques, empresas do segmento precisam avaliar outros mercados capazes de absorver parte da produção destinada anteriormente à China. A substituição, porém, depende das condições de cada mercado, das exigências sanitárias, das tarifas e da capacidade de compra dos demais países.

A retração observada em agosto ocorre, portanto, em um momento de mudança no fluxo internacional da carne bovina brasileira.

Preço do boi gordo permanece sustentado

Apesar da queda nas exportações para a China, a cotação da arroba do boi gordo continua sustentada no mercado físico brasileiro, segundo a análise da Safras & Mercado.

Um dos fatores apontados para dar suporte aos preços é a menor disponibilidade de animais prontos para o abate durante o segundo semestre.

A oferta mais restrita de gado terminado pode limitar a capacidade de expansão dos frigoríficos, mesmo diante da redução temporária das vendas destinadas ao mercado chinês.

Mercado acompanha oferta de animais

A disponibilidade de bovinos para abate é um dos principais fatores observados pelo setor para a formação dos preços no mercado interno. Com menos animais terminados disponíveis, a indústria frigorífica pode enfrentar maior dificuldade para ampliar o volume de abates.

Esse cenário ocorre paralelamente às mudanças nas exportações de carne bovina, especialmente para a China, principal destino da produção brasileira no mercado internacional.

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