A Petrobras recebeu autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para avançar com a perfuração de três novos poços exploratórios na Margem Equatorial, em uma área de águas ultraprofundas localizada no litoral do Amapá. A medida amplia os trabalhos de avaliação do potencial petrolífero do bloco FZA-M-59.
A autorização foi confirmada pelo Ibama e pela Petrobras após a informação ser divulgada inicialmente pela Reuters. Os novos trabalhos fazem parte do processo de investigação das características geológicas da região e poderão contribuir para determinar a extensão das reservas identificadas no local.
Ibama autoriza três novos poços na Margem Equatorial
A autorização contempla os poços denominados Manga, Crotalus e Morpho Extensão. De acordo com a Petrobras, essas perfurações já estavam incluídas nos estudos ambientais apresentados anteriormente durante o processo de licenciamento.
Os projetos constavam no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e no Relatório de Impacto Ambiental (Rima) que serviram de base para a autorização concedida em outubro de 2025 para a perfuração do poço Morpho.
Apesar de previstos nos documentos ambientais, os três poços adicionais permaneceram sob análise do Ibama enquanto o órgão avaliava informações complementares apresentadas pela companhia.
Retificação da licença ambiental
O Ibama informou que a autorização foi formalizada por meio da retificação da Licença de Operação nº 1684/2025. O documento foi emitido na quinta-feira, dia 3, depois que a Petrobras encaminhou dados adicionais solicitados durante o processo de avaliação ambiental.
A licença estabelece condições que deverão ser observadas pela companhia durante a execução das atividades exploratórias na Margem Equatorial.
Petrobras terá prazo para atualizar cronograma
A partir do recebimento da licença retificada, a Petrobras terá 30 dias para apresentar ao Ibama um cronograma atualizado para a realização das novas perfurações.
A determinação consta em decisão assinada por Jair Schmitt, diretor-geral do órgão ambiental. Além do cronograma, a empresa deverá cumprir uma série de exigências relacionadas ao acompanhamento e à fiscalização das operações.
Entre as obrigações estão medidas destinadas ao monitoramento dos possíveis impactos ambientais, ações de controle de poluição, elaboração de relatórios e manutenção de equipamentos necessários para eventuais inspeções realizadas pelas equipes responsáveis pela fiscalização.
As exigências fazem parte das condições estabelecidas para a continuidade das atividades de exploração no bloco localizado no litoral do Amapá.
Descoberta de petróleo reforçou interesse na região
A nova autorização ocorre após a Petrobras avançar na avaliação do bloco FZA-M-59. O processo ganhou relevância depois da autorização concedida, em outubro de 2025, para a perfuração do poço Morpho, considerado o primeiro poço firme da campanha exploratória na área.
Durante a execução das atividades, houve uma interrupção temporária no início de 2026. Na ocasião, profissionais da Petrobras identificaram uma redução no volume do fluido de perfuração armazenado nos tanques da plataforma. A ocorrência indicou uma perda de parte do material utilizado na operação.
Após meses de atividades, a Petrobras anunciou em agosto de 2026 a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, no bloco FZA-M-59. A descoberta foi considerada pela companhia como uma confirmação do potencial petrolífero existente na região.
Margem Equatorial pode contribuir para reposição de reservas
A identificação de hidrocarbonetos aumentou a expectativa em relação ao potencial da Margem Equatorial para a produção futura de petróleo no país.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou após a descoberta que o resultado obtido no poço Morpho confirmou a existência de petróleo na área e destacou os investimentos e recursos tecnológicos empregados durante o processo de exploração.
A região passou a ser acompanhada também dentro da estratégia da Petrobras para ampliar a disponibilidade de novas reservas. A perspectiva está relacionada à necessidade de compensar, no futuro, a redução gradual da produção de campos mais maduros, incluindo áreas do pré-sal.
Especialistas ouvidos pelo CNN Money chegaram a comparar o potencial da Margem Equatorial com o pré-sal em razão das estimativas relacionadas ao volume de petróleo que poderá ser encontrado na região. No entanto, novas perfurações e estudos ainda são necessários para determinar o tamanho e a viabilidade econômica das possíveis reservas.

