*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira, dia 30 de julho, a Operação Replay, uma ofensiva de grande envergadura voltada ao combate a crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. A ação mobilizou equipes policiais em vários estados e resultou no cumprimento de 10 mandados judiciais, englobando prisões preventivas, buscas e apreensões domiciliares, além de medidas patrimoniais e quebras de sigilo.

Os alvos da operação somam 14 suspeitos de integrar o esquema ilícito. As ordens judiciais e as diligências foram cumpridas simultaneamente em cinco cidades de destaque nacional: Cuiabá e Várzea Grande, em Mato Grosso; Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina; e a cidade do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro.
PATRIMÔNIO MILIONÁRIO E SEQUESTRO DE BENS
O ponto central da Operação Replay concentrou-se no desmantelamento do aparato financeiro e imobiliário construído com recursos ilícitos. A Justiça determinou o bloqueio financeiro de contas no valor de até R$ 15.324.000,00, além do sequestro de um vasto complexo de imóveis e veículos de luxo avaliados em aproximadamente R$ 17.287.600,00.

Somados, o bloqueio de contas e o sequestro patrimonial ultrapassam a marca de R$ 32,6 milhões em medidas constritivas. Entre os bens confiscados pelas autoridades estão imóveis estimados em R$ 16,68 milhões, sendo um apartamento de luxo em Itapema (SC) avaliado em R$ 3 milhões, um apartamento em Balneário Camboriú (SC) no valor de R$ 6 milhões, uma residência em condomínio fechado em Camboriú (SC) avaliada em R$ 6 milhões, uma residência de alto padrão em Cuiabá (MT) no valor de R$ 1,5 milhão, três terrenos somando aproximadamente R$ 180 mil. Além de veículos no valor de R$ 607,6 mil, sendo carros de passeio de alto padrão e uma motocicleta.
INVESTIGAÇÕES: A CONTINUIDADE DAS OPERAÇÕES APITO FINAL, FAIR PLAY E TEMPO EXTRA
Conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a Operação Replay constitui uma fase avançada e continuada das investigações que deram origem às operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra.
A nova fase estruturou-se a partir de análises aprofundadas de dados telemáticos e relatórios técnicos. A investigação constatou que, mesmo com a liderança do grupo já se encontrando presa, o comando da organização criminosa permaneceu ativo.
Os relatórios comprovaram que o chefe mantinha funções de comando financeiro e disciplinar, emitindo ordens de dentro do cárcere. Foram registradas cobranças, determinações de fechamento de contas, direcionamento de valores, correção de planilhas e orientações diretas aos operadores que atuavam em liberdade.
Um dos elementos cruciais da investigação foi a descoberta de um chip de celular atribuído à liderança, que foi alternado e utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026 para tentar burlar o monitoramento.
Além disso, durante as buscas e análises financeiras, os investigadores apreenderam uma planilha detalhada que serviu de base para dimensionar o volume de recursos movimentados. O documento fazia referência a um valor congelado de R$ 14.093.000,00, somado a outros R$ 1.231.000,00 movimentados no período específico analisado. O montante global de R$ 15.324.000,00 serviu de parâmetro exato para o pedido de bloqueio financeiro deferido pela Justiça.

