A Polícia Federal analisa contratos firmados entre o Ministério da Saúde e a Star Pharma, distribuidora de medicamentos que foi mencionada em investigações relacionadas à Operação Carbono Oculto. Os acordos, assinados entre 2024 e 2026, totalizam aproximadamente R$ 220 milhões e envolvem o fornecimento de insulina e preservativos para o Sistema Único de Saúde (SUS). A apuração ocorre em caráter sigiloso e, até o momento, não há confirmação de investigação específica contra a empresa.
Star Pharma entra no radar da Polícia Federal
A documentação referente aos contratos foi encaminhada pelo Ministério da Saúde, em maio deste ano, à Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), vinculada à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
A análise faz parte de um conjunto de procedimentos conduzidos pela PF, que busca verificar informações relacionadas aos contratos públicos celebrados pela distribuidora. A corporação informou apenas que não confirma nem comenta investigações em andamento, mantendo o sigilo sobre os trabalhos.
Os contratos em análise foram celebrados entre abril de 2024 e maio de 2026 e abrangem o fornecimento de medicamentos e insumos essenciais ao SUS, incluindo insulina e preservativos.
Relação com investigações da Operação Carbono Oculto
A empresa aparece mencionada em um inquérito que investiga supostas conexões com um grupo empresarial atribuído a Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Leme, chamado de “Beto Louco”. Ambos são investigados por suspeitas relacionadas à corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros.
Apesar da citação da Star Pharma nos documentos da investigação, a Polícia Federal ainda não informou se existe um procedimento específico direcionado à distribuidora. As apurações permanecem concentradas nas organizações e pessoas investigadas no âmbito das operações já deflagradas.
Antiga sócia é mencionada pelo Ministério Público
Empresa foi incluída em representação do MPSP
O Ministério Público de São Paulo incluiu a distribuidora em uma representação que serviu de base para a Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025.
Segundo o órgão, Andrea Cristina Alves Borges, que permaneceu como única sócia da empresa até novembro de 2025, teria figurado como suposta intermediária em empresas ligadas ao grupo investigado.
Ela também foi citada em outro desdobramento das investigações, denominado Operação Fluxo Oculto, deflagrado em maio de 2026.
Mensagens e movimentações financeiras
De acordo com informações do Ministério Público, mensagens e gravações atribuídas à ex-sócia indicariam participação em uma reorganização financeira envolvendo empresas investigadas após o avanço das apurações.
Entre os elementos analisados pelos investigadores estão conversas nas quais seria discutida a concentração das movimentações financeiras de dezenas de postos de combustíveis em um único CNPJ, utilizando uma plataforma de pagamentos.
Mesmo diante dessas referências, tanto Andrea quanto a Star Pharma não foram alvo das operações policiais realizadas até o momento, e os contratos firmados com o SUS não constituem o foco central das investigações em andamento.
Licitação e contratos com o Ministério da Saúde
Os principais contratos celebrados pela distribuidora tiveram origem em um pregão realizado em 2024 para aquisição de insulina destinada ao Sistema Único de Saúde.
Durante o processo licitatório, a farmacêutica Emanuela Medrades representou tanto a Star Pharma quanto outra participante da disputa, a Medicpharma.
O edital previa restrições à participação de empresas que mantivessem vínculos capazes de caracterizar atuação conjunta ou conluio durante a concorrência pública.
Na ocasião, ambas as empresas negaram qualquer irregularidade relacionada ao processo licitatório e sustentaram que seguiram todas as exigências estabelecidas no certame.
Empresa afirma atuar dentro da legalidade
Em manifestação pública, a distribuidora declarou que a análise conduzida pela Polícia Federal deverá demonstrar que todas as práticas adotadas ocorreram em conformidade com a legislação.
A empresa informou ainda que pretende solicitar uma auditoria sobre os contratos firmados com o Ministério da Saúde, com o objetivo de comprovar a regularidade dos procedimentos adotados e a conformidade das operações realizadas.
Ministério da Saúde diz não ter identificado irregularidades
O Ministério da Saúde afirmou que não recebeu qualquer notificação formal sobre investigação envolvendo a pasta relacionada aos contratos celebrados com a distribuidora.
Segundo o órgão, as licitações seguiram os critérios previstos na legislação vigente e a empresa vencedora apresentou proposta aproximadamente 30% inferior às demais concorrentes, além de cumprir todas as exigências legais estabelecidas no edital.
A pasta também ressaltou que a legislação aplicável aos processos licitatórios não permite avaliar individualmente representantes das empresas participantes durante a fase de habilitação, limitando a análise aos requisitos previstos nas normas que regem as contratações públicas.

