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Leia: Número de moradores de rua cresce 97,4% desde 2023
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13 de julho de 2026 19:45

OpiniãoMT > Blog > Governo Lula > Número de moradores de rua cresce 97,4% desde 2023
Governo Lula

Número de moradores de rua cresce 97,4% desde 2023

Cadastro Único aponta aumento de 97,4% no número de moradores de rua registrados no Brasil entre dezembro de 2022 e junho de 2026.

última atualização: 13 de julho de 2026 16:33
Redação OPMT
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7 Minutos de Leitura
Número de moradores de rua cresce 97,4% desde 2023
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O número de moradores de rua registrados no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) apresentou forte crescimento desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dados da base federal mostram que, entre dezembro de 2022 e junho de 2026, a quantidade de pessoas cadastradas vivendo em situação de rua passou de 198,7 mil para 392,4 mil, representando um aumento de 97,4% no período. Os registros indicam um acréscimo de aproximadamente 193,6 mil pessoas nessa condição.

CadÚnico registra aumento contínuo da população em situação de rua

O CadÚnico é utilizado pelo governo federal para identificar famílias de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade social, incluindo aquelas que vivem nas ruas. Embora os dados não representem um censo oficial da população em situação de rua, eles servem como um importante indicador para acompanhar a evolução desse público ao longo do tempo.

Levantamentos da base mostram que, desde janeiro de 2023, o sistema passou a incorporar, em média, cerca de 4,6 mil novos registros mensais de pessoas vivendo nas ruas. No período entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022, essa média era de aproximadamente 2 mil novos cadastros por mês.

O avanço dos registros ganhou intensidade após o período mais crítico da pandemia de Covid-19 e permaneceu elevado durante os anos seguintes, especialmente no primeiro semestre de 2026.

Crescimento vai além da hipótese de cadastros represados

Especialistas chegaram a considerar que parte da alta registrada em 2023 poderia ser consequência de cadastros que deixaram de ser realizados durante a pandemia, sendo inseridos posteriormente no sistema.

Entretanto, a continuidade do crescimento nos anos seguintes reduziu a força dessa hipótese. Caso o aumento estivesse relacionado apenas à regularização de registros antigos, seria esperado que os números apresentassem desaceleração progressiva, cenário que não foi observado.

Mesmo assim, especialistas destacam que os dados devem ser analisados com cautela. Como o CadÚnico é um banco de dados administrativo e não um levantamento censitário, o crescimento pode refletir tanto o aumento efetivo da população em situação de vulnerabilidade quanto melhorias na identificação e atualização cadastral realizadas pelos municípios.

Moradores de rua passaram a integrar grupo prioritário do Bolsa Família

Em julho de 2025, uma portaria do governo federal passou a considerar famílias com integrantes em situação de rua como grupo prioritário para ingresso no Bolsa Família.

A medida foi apresentada pelo Executivo como uma estratégia para ampliar a proteção social destinada a essa parcela da população, facilitando o acesso ao benefício assistencial.

Questionamentos no Congresso Nacional

A política, entretanto, também passou a ser debatida no Congresso. Parlamentares apresentaram requerimentos solicitando esclarecimentos ao governo após denúncias envolvendo suposta atuação de organizações criminosas na retenção de cartões do Bolsa Família pertencentes a pessoas em situação de rua.

O assunto também foi discutido em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, que buscou reunir informações sobre possíveis irregularidades relacionadas ao pagamento do benefício.

Plano Ruas Visíveis foi lançado, mas registros continuaram crescendo

Em dezembro de 2023, o governo federal lançou o Plano Nacional Ruas Visíveis, iniciativa voltada à ampliação das políticas públicas para pessoas em situação de rua. O programa foi anunciado com investimento inicial de R$ 982 milhões.

Apesar da criação do plano, os dados do CadÚnico continuaram apontando crescimento nos registros. Na época do lançamento da iniciativa, havia aproximadamente 262,5 mil pessoas cadastradas nessa condição. Até junho de 2026, esse total aumentou em cerca de 130 mil registros.

Governo atribui alta à melhoria do cadastramento

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) afirma que parte do crescimento observado decorre da modernização do processo de cadastramento.

Segundo a pasta, em 2023 foram retomadas capacitações destinadas a entrevistadores e operadores do CadÚnico, fortalecendo o trabalho realizado pelos municípios e ampliando a capacidade de identificação da população em situação de vulnerabilidade.

O ministério também sustenta que houve subnotificação nos anos anteriores e afirma que fatores como rompimento de vínculos familiares, violência doméstica, desemprego, dificuldades econômicas e eventos climáticos extremos contribuíram para o aumento da população vivendo nas ruas.

Ex-ministro contesta tese de subnotificação

A explicação apresentada pelo governo é contestada por integrantes da oposição. O deputado federal Osmar Terra (PL-RS), que comandou o Ministério da Cidadania entre 2019 e 2020, afirma que os dados são produzidos diretamente pelos municípios, responsáveis pelo cadastramento da população.

Segundo o parlamentar, o processo de coleta das informações é conduzido pelas administrações municipais, o que, em sua avaliação, não sustentaria a tese de subnotificação atribuída exclusivamente ao governo federal anterior.

O MDS informou que o crescimento da população em situação de rua resulta da combinação entre fatores sociais e do aperfeiçoamento do próprio Cadastro Único. A pasta, porém, não apresentou estudos específicos em resposta ao questionamento sobre a suposta subnotificação registrada entre 2019 e 2022.

Norte e Nordeste lideram crescimento proporcional dos registros

Embora o Sudeste concentre o maior número absoluto de pessoas cadastradas em situação de rua, o crescimento proporcional mais intenso foi registrado nas regiões Norte e Nordeste.

No Norte, os registros saltaram de cerca de 4,9 mil pessoas em janeiro de 2023 para 22,8 mil em junho de 2026, representando alta de 367%.

Já o Nordeste passou de aproximadamente 29,1 mil para 61 mil pessoas cadastradas, crescimento de 109%. Nas demais regiões, o aumento também foi significativo: 85% no Sudeste, 83% no Sul e 79% no Centro-Oeste.

Roraima registra maior expansão entre os estados

Entre as unidades da federação, Roraima apresentou a maior elevação proporcional. O estado, impactado pelo fluxo migratório na fronteira com a Venezuela, passou de 1.460 pessoas cadastradas em janeiro de 2023 para 10.162 em junho de 2026, crescimento próximo de sete vezes.

Rondônia também registrou forte expansão, com aumento de 450% no número de registros. Já São Paulo, que concentra o maior contingente absoluto de pessoas em situação de rua cadastradas no país, apresentou crescimento de 88% no período analisado.

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