O governo federal reagiu à decisão dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas internacionais. Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (29), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) afirmou que a soberania brasileira “é inegociável” e criticou qualquer tentativa de interferência estrangeira em assuntos internos do país.
A manifestação ocorreu após o Departamento de Estado norte-americano anunciar que as duas maiores facções criminosas do Brasil passarão a integrar a lista de “terroristas globais especialmente designados”. Segundo o governo dos EUA, a medida começará a valer a partir de 5 de junho.
Governo brasileiro reage à classificação dos EUA
Na nota publicada pela Secom, o Palácio do Planalto afirmou que o Brasil já conduz ações permanentes de enfrentamento ao crime organizado e destacou que PCC, Comando Vermelho e outros grupos criminosos promovem violência em diversas regiões do país.
O comunicado ressaltou que o combate a essas facções segue como prioridade das autoridades brasileiras. Apesar disso, o governo argumentou que as atividades praticadas por essas organizações não devem ser confundidas com atos de terrorismo internacional motivados por razões ideológicas, políticas ou religiosas.
Segundo a Secom, as facções atuam principalmente com foco em atividades ilícitas ligadas ao tráfico de drogas e armas, utilizando o medo e a violência como instrumentos de controle territorial e obtenção de lucro.
Debate sobre soberania nacional
O governo brasileiro também demonstrou preocupação com decisões tomadas unilateralmente por outros países. Na avaliação do Planalto, iniciativas estrangeiras sem diálogo prévio podem gerar impactos econômicos e dificuldades no combate integrado ao crime organizado.
A nota oficial afirmou ainda que o Brasil permanece aberto à cooperação internacional para enfrentar organizações criminosas transnacionais, desde que haja respeito à soberania nacional.
De acordo com o comunicado, qualquer parceria internacional considerada benéfica para ambos os países será aceita, mas o governo rejeita ações classificadas como arbitrárias ou que possam prejudicar a economia brasileira.
Cooperação internacional contra o crime
O Planalto informou que apresentou, em abril deste ano, uma proposta de cooperação ao Departamento de Estado dos Estados Unidos. A iniciativa teria como foco ações conjuntas de combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas.
O governo brasileiro considera que a colaboração entre países é fundamental para enfrentar organizações criminosas que operam além das fronteiras nacionais, especialmente grupos ligados ao narcotráfico.
Secom menciona família Bolsonaro em nota oficial
Além da resposta sobre a classificação de PCC e CV como terroristas, a Secom também direcionou críticas à família Bolsonaro. No texto, o órgão afirmou que determinados grupos políticos estariam tentando manipular o debate sobre segurança pública.
A nota menciona supostas tentativas de buscar apoio estrangeiro para interferir em assuntos internos do Brasil. O governo classificou como inadequada a atuação de integrantes da família Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas.
As declarações elevaram o tom político da manifestação oficial e ampliaram a repercussão do tema no cenário nacional.
Estados Unidos justificam decisão
O anúncio norte-americano foi realizado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos nesta quinta-feira (28). A medida foi assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, dentro da estratégia do governo Donald Trump voltada ao enfrentamento do narcotráfico e do crime organizado internacional.
No comunicado divulgado pelas autoridades norte-americanas, Rubio classificou PCC e Comando Vermelho como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil.
Segundo ele, as facções possuem milhares de integrantes e seriam responsáveis por ataques contra policiais, agentes públicos e civis brasileiros. O secretário também afirmou que as atividades criminosas desses grupos ultrapassam as fronteiras brasileiras e alcançam outros países da região, além do território dos Estados Unidos.
O que muda com a classificação de terroristas
A inclusão das facções na lista de organizações terroristas estrangeiras pode ampliar mecanismos de sanções financeiras, restrições comerciais e cooperação internacional envolvendo investigações criminais. Especialistas apontam que a classificação costuma permitir o bloqueio de ativos financeiros, além de endurecer medidas contra pessoas ou empresas que mantenham qualquer tipo de vínculo com os grupos listados. Apesar disso, o governo brasileiro reforçou que continuará tratando o enfrentamento às facções dentro das normas previstas pela legislação nacional.

