*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O senador Wellington Fagundes (PL) utilizou as redes sociais para responder as falas do governador Mauro Mendes (União), que o havia chamado de “cara de pau”. O parlamentar classificou a reação do chefe do Executivo como fruto de “nervosismo” e atribuiu o atrito ao início dos bastidores eleitorais.
“Eu não vou responder esse nervosismo e esse destempero do governador”, afirmou Wellington em vídeo publicado na internet.
O senador pontuou que não falou “nada demais” em suas declarações anteriores e sustentou que suas críticas técnicas à estadualização da rodovia MT-170, antiga BR-174, são legítimas. De forma direta, Fagundes trouxe à tona o pano de fundo do desentendimento: as eleições. Ele ressaltou que Mato Grosso vive um período de pré-campanha e avisou que muitos embates ainda virão pela frente. Mauro Mendes desponta como pré-candidato ao Senado e Wellington é pré-candidato ao Governo do Estado.
ENTENDA O CASO
A forte divergência entre as duas lideranças do estado veio a público na terça-feira, dia 26 de maio, quando Mauro Mendes gravou um vídeo rebatendo críticas de Wellington sobre as obras logísticas na região noroeste do estado. O senador havia classificado como “um erro” a decisão do Executivo de assumir e pavimentar a MT-170.
A resposta de Mendes foi incisiva e mirou diretamente a trajetória política de Fagundes.
“Vocês vão ver um exemplo de um político cara de pau e que não tem respeito nenhum com a população do nosso Estado”, disparou o governador na ocasião, abrindo uma crise aberta entre o Palácio Paiaguás e a bancada federal.
A disputa gira em torno de um corredor logístico estratégico de mais de 270 quilômetros que interliga os municípios de Juína e Colniza, cruzando Castanheira, Juruena e Aripuanã. A via era originalmente estadual, MT-170, mas acabou federalizada em 2008 sob a influência direta de Wellington Fagundes, transformando-se na BR-174.
Naquela época, o argumento do senador era que o Estado não possuía saúde financeira para arcar com a pavimentação da região. Contudo, a rodovia foi repassada ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e permaneceu por 14 anos tomada por atoleiros e abandono.
Mendes aproveitou o histórico para apontar a responsabilidade política de Fagundes sobre o trecho.
“Durante esses 14 anos, o que aconteceu na prática com esta BR-174 foi um total abandono: atoleiro, desespero das pessoas que chegavam a demorar ali vários dias, 10 horas, 11 horas para atravessar essa estrada em péssimas condições. Wellington Fagundes foi deputado federal por cinco ou seis mandatos, está no segundo mandato de senador e durante muitos anos ele mandou no DNIT. Era ele que nomeava os representantes do Governo Federal aqui. E por que nada mudou?”, questionou o governador.
O Estado reassumiu a rodovia em 2022. Desde a retomada da pista para a tutela de Mato Grosso, o Executivo aplicou recursos próprios e já concluiu mais de 200 quilômetros de pavimentação asfáltica. No vídeo, Mendes chegou a citar os avanços na BR-163 para questionar se o senador também considerava “um erro” salvar vidas e desenvolver as regiões de Mato Grosso.
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