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20 de outubro de 2026 18:11

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OpiniãoMT > Blog > Brasília > TCU apura denúncia sobre compra de insulina pelo Ministério da Saúde
Brasília

TCU apura denúncia sobre compra de insulina pelo Ministério da Saúde

TCU analisa denúncia sobre compra de insulina da Biomm pelo Ministério da Saúde, com questionamentos sobre preços e procedimentos da licitação.

Redação OPMT
Publicado em: 20 de outubro de 2026
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12 Minutos de Leitura
TCU apura denúncia sobre compra de insulina pelo Ministério da Saúde
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O Tribunal de Contas da União (TCU) vai examinar uma denúncia que questiona procedimentos adotados pelo Ministério da Saúde na aquisição de insulina humana para o Sistema Único de Saúde (SUS). A representação aponta possíveis irregularidades na contratação da Biomm S/A, incluindo a definição do preço máximo da licitação, a desistência inicial da empresa e a posterior retomada do processo de compra. Os fatos ainda dependem de apuração, e não há confirmação das suspeitas apresentadas.

Denúncia sobre a compra de insulina chega ao TCU

O processo, registrado sob o número TC 021.588/2026-0, foi apresentado pelo advogado Luccas Beresa de Paula Macedo e encaminhado ao ministro Augusto Nardes em 8 de outubro. A tramitação ocorre sob sigilo.

A representação solicita a análise de atos administrativos relacionados à aquisição do medicamento, cujo contrato foi firmado em abril de 2024. O acordo inicial com a Biomm foi de R$ 34,3 milhões e, após um aditivo contratual, alcançou R$ 42,9 milhões.

A empresa foi fundada pelo ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. Na época da contratação, Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, possuía participação acionária na companhia por meio de um fundo de investimentos.

Segundo o autor da denúncia, os documentos necessários para avaliar o procedimento licitatório só foram disponibilizados pelo Ministério da Saúde em 29 de setembro, após duas tentativas anteriores sem sucesso.

Ministério da Saúde aumentou em 52% o preço de referência da insulina

O primeiro pregão para a aquisição do medicamento foi realizado em 12 de dezembro de 2023. Naquele momento, o valor de referência estabelecido pela administração pública era de R$ 12,95 por frasco.

A Biomm apresentou uma proposta de R$ 19,70. Já a Med Lab ofertou R$ 40, enquanto a Imediata apresentou o valor de R$ 68,40. Como todas as ofertas ultrapassaram o limite previsto inicialmente, o procedimento terminou sem uma contratação.

Nove dias depois, uma nota técnica do Ministério da Saúde alterou o preço máximo para R$ 19,70, coincidindo exatamente com a proposta apresentada pela Biomm no primeiro pregão.

O documento, identificado como Nota Técnica COLMER nº 370/2023, utilizou como referência o menor preço registrado no Pregão Eletrônico nº 158/2023. A mudança representou uma elevação de aproximadamente 52% em relação ao valor anterior.

Na justificativa, a área técnica argumentou que estabelecer um preço inferior poderia comprometer o resultado da licitação e prejudicar a continuidade do processo administrativo, que ainda estava submetido à legislação anterior de licitações.

Na mesma noite, a diretora substituta do Departamento de Logística, Vanessa Torres Dantas, aprovou o novo valor e determinou a publicação do edital até 29 de dezembro de 2023.

Biomm apresentou proposta igual ao limite estabelecido

O segundo pregão foi aberto em 11 de janeiro de 2024. Conforme os documentos mencionados na representação, a Biomm foi a única empresa participante nos itens disputados.

Durante as negociações, a companhia reduziu sua oferta inicial de R$ 22 para R$ 21. Na etapa de lance fechado, apresentou o valor de R$ 19,70, exatamente o preço máximo definido pelo Ministério da Saúde.

Nesse modelo de disputa, as empresas apresentam suas ofertas sem conhecer o limite sigiloso estabelecido pela administração pública.

Quando questionada sobre a possibilidade de oferecer um preço menor, a Biomm informou que aquela já seria sua melhor oferta para o certame, conforme os registros citados pelo advogado.

A denúncia também destaca uma divergência no documento da proposta comercial. O valor aparece como R$ 19,70 em números, mas está descrito por extenso como “vinte e dois reais”.

Desistência da proposta e retomada da licitação são questionadas

Em 12 de janeiro de 2024, um dia depois do pregão, a Biomm comunicou que não manteria sua oferta. Como justificativa, alegou que a fabricante indiana Wockhardt não conseguia informar uma previsão para a entrega do medicamento.

A Biomm atua na importação e comercialização da insulina, que, nesse caso, seria produzida na Índia.

Após a desistência, o pregoeiro Gregório Bittencourt Ferreira Santos advertiu a empresa, em três ocasiões, sobre a necessidade de abertura de um processo para avaliar a aplicação de sanções administrativas.

Em 22 de janeiro, outro pregoeiro formalizou um pedido de instauração desse procedimento. No dia seguinte, o coordenador-geral Franklin Martins Barbosa determinou que a licitação fosse considerada fracassada e que fosse aberto um processo contra a companhia.

Entretanto, segundo a representação encaminhada ao TCU, essas providências não chegaram a ser efetivadas.

Empresa pediu a continuidade do procedimento

Em 26 de janeiro, a Biomm encaminhou uma carta ao Ministério da Saúde informando que havia recebido um retorno positivo da fabricante indiana. Com base nessa comunicação, solicitou que a licitação fosse retomada.

De acordo com o advogado, a empresa não apresentou, junto à carta, um documento da Wockhardt que comprovasse a informação sobre a disponibilidade do produto.

Na mesma data, o diretor do Departamento de Logística, Odilon Borges de Souza, autorizou a retomada do pregão para uma nova negociação. O despacho estabeleceu que deveria ocorrer outra rodada de tratativas para registrar formalmente a aceitação da proposta da Biomm pelo valor de referência.

A decisão, conforme os documentos citados na denúncia, não fez menção ao pedido de abertura de processo sancionatório apresentado anteriormente.

A nova negociação, porém, não foi realizada. Em 31 de janeiro, o sistema eletrônico registrou o retorno à fase anterior da licitação, sob a justificativa de que a empresa não desistiria mais da proposta.

A oferta de R$ 19,70 por frasco acabou aceita, e o resultado foi homologado por Odilon Borges de Souza em 6 de fevereiro de 2024.

Registros eletrônicos levantam dúvidas sobre a proposta de insulina

Outro ponto questionado pelo advogado envolve a sequência de registros eletrônicos feitos em 31 de janeiro, data em que o procedimento foi retomado.

Segundo os dados apresentados na representação, a Biomm criou um arquivo denominado “Proposta Matriz – proposta final conferida sem cota me.docx” às 9h05min19.

Poucos minutos depois, às 9h09min25, o sistema governamental registrou que a empresa manteria sua oferta. Entretanto, a assinatura da proposta pela companhia ocorreu apenas às 9h29min22.

A diferença de aproximadamente 20 minutos entre o registro de manutenção da oferta e a assinatura do documento é um dos aspectos que o denunciante solicita que sejam esclarecidos.

Para o advogado, os registros disponíveis permitem identificar as decisões tomadas durante a contratação, mas não apresentam justificativas suficientes para algumas medidas adotadas pela administração pública.

A representação pede que o TCU examine a definição do preço máximo, a ausência de medidas sancionatórias após a desistência inicial e as circunstâncias que permitiram a retomada do procedimento.

O autor sustenta que a sequência de decisões favoreceu a continuidade da contratação com a mesma empresa. Essa alegação, contudo, constitui um dos pontos a serem investigados e não representa uma irregularidade comprovada.

Mensagens entre Daniel Vorcaro e Walfrido dos Mares Guia são citadas

A denúncia também menciona mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e Walfrido dos Mares Guia, divulgadas em setembro, para solicitar que o TCU examine possíveis conexões entre relações políticas e a contratação da Biomm.

Em março de 2024, Mares Guia enviou uma mensagem ao empresário mencionando Olavo Noleto, então próximo do ministro Alexandre Padilha, e afirmou que ele havia demonstrado uma impressão positiva sobre Vorcaro.

Naquele período, Padilha ocupava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. O político havia comandado o Ministério da Saúde entre 2011 e 2014 e voltou a assumir a pasta em março de 2025.

Em 26 de abril de 2024, duas semanas após a assinatura do contrato de compra de insulina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da inauguração de uma fábrica da Biomm em Nova Lima, Minas Gerais.

A representação cita ainda mensagens relacionadas a um jantar realizado em outubro de 2024, na residência de Vorcaro, em Brasília, com a participação de Alexandre Padilha e Olavo Noleto. O encontro, segundo as informações mencionadas, não constava na agenda oficial.

Em dezembro daquele ano, outra mensagem de Mares Guia fazia referência a um indicado para a presidência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), descrito como aliado no Ministério da Saúde.

Denúncia menciona proposta de delação e pede esclarecimentos

O documento também faz referência a uma proposta de delação atribuída a Vorcaro, na qual teria sido mencionado um suposto pagamento de R$ 6 milhões a um grupo ligado a Alexandre Padilha.

Conforme o material citado pelo denunciante, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram a proposta por falta de provas.

O advogado, entretanto, ressalta que não considera demonstrada uma relação entre as mensagens, as indicações políticas mencionadas e a contratação da Biomm.

Por esse motivo, solicita que o TCU verifique os fatos por meio de documentos administrativos, agendas oficiais e correspondências dos envolvidos. O pedido inclui uma manifestação expressa sobre os resultados da apuração, mesmo que as suspeitas não sejam confirmadas.

O que dizem os citados na denúncia

Em setembro, a assessoria de Alexandre Padilha afirmou, em resposta a questionamentos sobre o jantar, que ele não exercia o cargo de ministro da Saúde em 2024 e que o encontro mencionado não produziu desdobramentos.

A Anvisa declarou que seu diretor-presidente nunca manteve qualquer tipo de relação ou contato com Daniel Vorcaro. Por sua vez, Walfrido dos Mares Guia afirmou que nunca teve intimidade com o ex-controlador do Banco Master.

As manifestações citadas integram o contexto da denúncia, que reúne questionamentos sobre procedimentos administrativos e referências a relações entre empresários e integrantes do meio político.

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