A atuação de uma mulher de 37 anos que teria assumido diversas identidades para se passar por adolescente e conquistar a confiança de famílias voltou a chamar a atenção das autoridades brasileiras. Presa recentemente em Joinville, Santa Catarina, ela é alvo de investigações e processos judiciais em diferentes regiões do país por supostos crimes relacionados à falsidade ideológica e uso de identidade falsa.
Mulher utilizava diferentes nomes para convencer vítimas
De acordo com informações apuradas pelas autoridades, a investigada teria adotado diversas identidades ao longo dos últimos anos para construir histórias que despertavam compaixão e levavam pessoas a oferecer apoio material e emocional.
Entre os nomes que teriam sido utilizados estão Gabriele, Ana Clara, Maria Eduarda, Beatriz e Maria Clara. Em cada situação, a versão apresentada mudava conforme o contexto, mas geralmente envolvia relatos de vulnerabilidade, abandono ou risco social.
Os registros relacionados ao caso começaram a surgir em diferentes estados brasileiros a partir de 2018, chamando a atenção das forças de segurança devido à repetição do mesmo padrão de comportamento.
Casos foram registrados em diferentes regiões do Brasil
As investigações apontam que episódios semelhantes ocorreram em pelo menos cinco estados. Além de Santa Catarina, há registros de ocorrências envolvendo a suspeita no Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás.
A amplitude geográfica dos casos levou autoridades de diferentes unidades da federação a compartilhar informações para compreender a extensão das ações atribuídas à investigada.
Em diversos relatos, a suspeita teria conseguido convencer pessoas de que era uma menor de idade em situação de vulnerabilidade, recebendo acolhimento, moradia e outros tipos de assistência.
Episódio no Rio de Janeiro chamou atenção
Um dos casos de maior repercussão aconteceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, durante o ano de 2023.
Na ocasião, duas mulheres acreditaram estar ajudando uma garota de apenas 12 anos que afirmava ser vítima de exploração sexual. Sensibilizadas pela narrativa apresentada, elas forneceram apoio financeiro e estrutural à suposta adolescente.
Segundo as investigações, foram disponibilizados itens como roupas, produtos de higiene pessoal, alimentos e até mesmo uma residência para acomodá-la. Posteriormente, a polícia concluiu que as informações fornecidas não correspondiam à realidade.
Condenação por falsidade ideológica em Goiás
Outro episódio ocorreu em Goiânia, onde a investigada acabou sendo condenada pelo crime de falsidade ideológica. Conforme os autos do processo, ela teria utilizado documentação com informações falsas durante um atendimento médico. Inicialmente, profissionais de saúde acreditaram estar atendendo uma criança, circunstância que posteriormente foi desmentida após a identificação de sua verdadeira idade.
O caso se tornou mais um elemento incorporado ao histórico de investigações relacionadas à suspeita.
Caso em Joinville levou à prisão preventiva
A situação mais recente aconteceu em Joinville, no Norte de Santa Catarina. Conforme a Polícia Civil, a investigada permaneceu por aproximadamente 14 meses convivendo com uma família que acreditava estar acolhendo uma adolescente.
Para justificar características físicas incompatíveis com a idade informada, ela teria alegado ser autista e relatado ter sido submetida ao uso de hormônios durante a infância. Após o avanço das investigações, a suspeita foi presa e encaminhada ao sistema prisional. Posteriormente, a Justiça catarinense decidiu converter a prisão em preventiva.
Defesa aguarda resultado de exames
A pedido da defesa, a Justiça também autorizou a realização de exames de sanidade mental para avaliar as condições psicológicas da investigada. O advogado responsável pelo caso informou que não pretende comentar o mérito das acusações até que a perícia seja concluída e os resultados sejam oficialmente apresentados às autoridades competentes.

