*Sêmia Mauad/ Opinião MT
As investigações em torno da Operação Engodo Digital, deflagrada na última terça-feira, dia 18 de agosto, no município de Sorriso, em Mato Grosso, ganharam novos contornos e revelaram conexões de alcance nacional. A Polícia Civil de Mato Grosso apura agora se há vínculos diretos entre o esquema investigado no estado e uma megaoperação da Polícia Federal realizada em abril deste ano, que culminou na prisão de artistas e influenciadores nacionais, como os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo.

Deflagrada pelas autoridades policiais mato-grossenses, a Operação Engodo Digital tem como alvo direto 10 pessoas e oito empresas suspeitas de integrar uma rede criminosa voltada à exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.
Segundo o levantamento preliminar da Polícia Civil, o grupo movimentou mais de R$ 28 milhões através de plataformas de apostas não autorizadas. Na ação, foram cumpridas ordens judiciais de busca e apreensão e de bloqueio de bens.

Além disso, a Justiça impôs medidas cautelares severas aos investigados, que incluem proibição de contato entre os envolvidos, recolhimento de passaportes de três pessoas, obrigação de comparecimento mensal ao Fórum e proibição absoluta do uso de redes sociais para a divulgação de jogos de azar.
A CONEXÃO NACIONAL: INFLUENCIADORA DE MATO GROSSO E OS FUNKEIROS
No epicentro das investigações da Polícia Civil de Mato Grosso está a influenciadora digital Natiele Aparecida. Os investigadores identificaram indícios de que empresas com atuação em Mato Grosso mantinham ligações estreitas com os demais investigados no esquema de plataformas de apostas.

De acordo com o inquérito, Natiele teria recebido cerca de R$ 100 mil de uma empresa diretamente vinculada a MC Poze do Rodo e MC Ryan SP, com o objetivo de promover e divulgar o jogo de azar conhecido popularmente como “Jogo do Tigrinho” nas redes sociais.
O detalhe acende o alerta das autoridades para a reutilização de estruturas de showbusiness digital e agenciamento artístico na maquiagem de lucros ilícitos obtidos com apostas virtuais não regulamentadas. Vale lembrar que, à época da ofensiva federal em abril, tanto MC Poze do Rodo quanto MC Ryan SP acabaram sendo soltos menos de um mês após as prisões preventivas.
O PANO DE FUNDO: A OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL EM ABRIL
A ramificação investigada pela Polícia Civil de Mato Grosso se cruza diretamente com a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) meses antes, que mirou uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro com movimentações superiores a R$ 1,6 bilhão.
O esquema investigado pela PF utilizava a fachada de atividades do setor audiovisual, showbusiness digital, rifas na internet e jogos de azar para dar aparência legal a capitais ilícitos. Naquela ocasião, além dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, a investida federal resultou na prisão de figuras conhecidas do ecossistema de internet, a exemplo de Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página de fofocas Choquei, e do influenciador Chrys Dias.
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