*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) vai ouvir na manhã desta quarta-feira, dia 13 de maio, familiares e policiais envolvidos na ação que resultou na morte de Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos.
O servidor, que atuava há mais de uma década na tradicional Escola Estadual Liceu Cuiabano, foi morto por policiais militares na noite de segunda-feira, dia 11 de maio, no bairro Goiabeiras.
O delegado responsável pelo caso, Bruno Abreu, confirmou que familiares e os policiais envolvidos na ocorrência serão ouvidos hoje. O objetivo é esclarecer as contradições entre o boletim de ocorrência e os questionamentos feitos pela família da vítima.
“Esse caso é delicado, mas teremos uma oitiva que esclarecerá e confirmará ou não o que me foi dito”, pontuou o delegado.
A ocorrência teve início após a Polícia Militar ser acionada para atender uma denúncia de que Valdivino estaria mantendo a ex-enteada em cárcere privado. De acordo com o relato da equipe Raio 02, ao chegarem à residência, os militares ouviram disparos vindos do interior do imóvel.
Ao avançarem pelo quintal, os policiais afirmam ter visto, através de uma janela, o servidor apontando um revólver contra a cabeça da jovem, que tentava fazer uma ligação. A motivação seria o fato de Valdivino não aceitar o fim do relacionamento com a mãe da vítima.
Segundo o boletim de ocorrência, Valdivino saiu da casa e, ao se deparar com a guarnição, recebeu ordens para se render. No entanto, ele teria reagido e apontado a arma na direção dos policiais, que revidaram com disparos. O servidor morreu no local.
A família de Valdivino contesta a narrativa policial. Parentes negam que ele mantivesse a jovem como refém ou que tivesse apontado o armamento contra a cabeça dela.
Contudo, gravações encontradas após o crime trazem elementos que reforçam o estado psicológico abalado do servidor e a presença da arma. Em vídeos registrados momentos antes da morte, Valdivino aparece em tom de despedida e demonstra intenções suicidas.
“A minha vida está ruim. Minha vida está péssima. Aí você só chama a polícia para levar meu corpo. Eu vou morrer hoje”, afirmou ele em uma das gravações, chegando a dar “opções” à ex-enteada sobre o que fazer após a morte dele.
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