*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso, com o apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo, deflagrou na manhã desta quarta-feira, dia 2 de setembro, a Operação Sacrilegium. A ação é o resultado de investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá para desarticular uma associação criminosa originária do estado de São Paulo, especializada em furtos qualificados a edifícios residenciais de alto padrão na capital mato-grossense.

A operação cumpre um total de 20 ordens judiciais expedidas pela Justiça, compreendendo 12 mandados de busca e apreensão, 1 mandado de prisão preventiva, 1 mandado de internação de adolescente, 3 ordens de quebra de sigilo bancário e 3 bloqueios de valores até o limite de R$ 300 mil.

De acordo com as investigações conduzidas em dois inquéritos policiais na Derf de Cuiabá, o grupo adotava uma logística interestadual estruturada com divisão de tarefas. Os criminosos saíam do estado de São Paulo em veículos próprios, deslocavam-se até Cuiabá, selecionavam edifícios residenciais de alto padrão, executavam os furtos e retornavam rapidamente para o território paulista.
Registros de monitoramento de rodovias foram fundamentais para rastrear a rota dos suspeitos, comprovando que o automóvel utilizado pelo bando entrava em Mato Grosso no dia anterior aos crimes e deixava o estado poucas horas após a execução das subtrações, rumo a São Paulo.
O FURTO DE R$ 300 Mil NO BAIRRO DUQUE DE CAXIAS
Um dos inquéritos apura um furto registrado no dia 13 de abril do ano passado, em um apartamento situado no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. Na ocasião, um dos envolvidos conseguiu ingressar no condomínio apresentando-se falsamente como morador e permaneceu circulando por áreas estratégicas desprovidas de câmeras de segurança.

Enquanto aguardavam a saída da vítima, outro integrante do grupo compareceu à portaria sondando uma moradora para confirmar se a dona do imóvel encontrava-se ausente. Com a certeza de que o apartamento estava vazio, o suspeito que estava escondido utilizou as escadas para acessar o andar, arrombou a porta da cozinha e subtraiu joias, peças de ouro, pérolas, pedras preciosas, além de valores em moeda nacional e estrangeira, gerando um prejuízo estimado em R$ 300 mil.
O segundo inquérito investiga a atuação do grupo em episódios como o registrado em 19 de setembro de 2025, em Cuiabá, ocasião que resultou na apreensão de um veículo e de aparelhos celulares. As apurações revelaram que os criminosos realizavam levantamentos prévios detalhados, identificando nomes de moradores, endereços de edifícios residenciais de luxo e as condições de acesso aos imóveis.

No mesmo dia, diferentes condomínios da capital eram avaliados como possíveis alvos. A análise dos celulares apreendidos e dos deslocamentos comprovou que os integrantes trocavam informações em tempo real, evidenciando a estabilidade e a permanência do vínculo associativo entre os suspeitos.
As diligências continuam nesta quarta-feira com o objetivo de cumprir integralmente os mandados expedidos, apreender novos elementos de prova e descapitalizar o grupo criminoso.
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