A Polícia Federal voltou a solicitar ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a transferência de Vorcaro para uma unidade prisional comum. O pedido foi renovado após os investigadores rejeitarem uma nova tentativa de acordo de colaboração premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que permanece preso preventivamente desde março deste ano.
A medida ocorre em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero, responsável por apurar supostas irregularidades e fraudes relacionadas às atividades do Banco Master. Atualmente, o banqueiro segue detido na carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
PF busca transferência para presídio comum
Os investigadores defendem que Daniel Vorcaro seja removido das instalações da Polícia Federal e encaminhado para uma unidade prisional convencional. O pedido já havia sido formulado anteriormente, mas ainda aguarda decisão do ministro André Mendonça, relator do processo envolvendo o Banco Master no STF.
Desde sua prisão preventiva, decretada em 19 de março, Vorcaro permaneceu custodiado na Superintendência da PF. Durante o período inicial de negociação para um possível acordo de colaboração, ele recebeu autorização para manter encontros frequentes com seus advogados, visando a elaboração de uma proposta de delação premiada.
Posteriormente, em maio, o empresário deixou uma cela especial e passou a ocupar uma cela comum dentro da própria estrutura da Polícia Federal.
Histórico das negociações de colaboração
Primeira proposta foi recusada
As tratativas para um acordo de colaboração começaram ainda nos primeiros meses após a prisão. Na ocasião, Daniel Vorcaro assinou um termo de confidencialidade, etapa considerada necessária para o início formal das negociações com as autoridades.
Contudo, a primeira proposta apresentada não obteve aceitação por parte da Polícia Federal. Após a rejeição, houve mudanças na equipe de defesa do banqueiro. O advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido no meio jurídico como Juca, deixou a representação do empresário em maio de 2026.
A negativa da PF também motivou o primeiro pedido de transferência para um presídio comum, que acabou permanecendo sem análise definitiva pelo Supremo Tribunal Federal.
Nova tentativa também enfrenta resistência
Com a substituição da defesa, uma segunda proposta de colaboração foi elaborada e encaminhada às autoridades. O documento foi apresentado pelo advogado Sérgio Leonardo e enviado tanto à Polícia Federal quanto à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Até o momento, a PGR ainda não divulgou uma posição oficial sobre o conteúdo do material apresentado. Apesar disso, fontes ligadas às investigações indicam que a nova tentativa não alcançou o resultado esperado junto aos investigadores.
Vorcaro não apresentou informações consideradas relevantes
De acordo com integrantes da investigação, a avaliação interna da Polícia Federal aponta que os elementos fornecidos por Vorcaro não trouxeram informações inéditas ou suficientemente relevantes para justificar a celebração de um acordo de colaboração premiada.
Segundo relatos de pessoas próximas ao caso, parte significativa do conteúdo apresentado já era conhecida pelas autoridades e não acrescentaria fatos considerados estratégicos para ampliar ou aprofundar as apurações em andamento.
Esse entendimento teria sido determinante para a rejeição da segunda proposta, reforçando a posição dos investigadores de que ainda não existem fundamentos suficientes para formalizar um acordo de delação.
Operação Compliance Zero segue em andamento
A Operação Compliance Zero continua investigando possíveis irregularidades envolvendo operações ligadas ao Banco Master. As apurações buscam reunir elementos que possam esclarecer a participação de envolvidos e a extensão dos fatos sob investigação.
Enquanto isso, a situação processual de Daniel Vorcaro permanece sob análise do Supremo Tribunal Federal. A decisão sobre a transferência para um presídio comum agora depende do posicionamento do ministro André Mendonça, que também acompanha os desdobramentos relacionados aos pedidos de colaboração apresentados pela defesa.

