O mercado internacional de petróleo registrou forte alta nesta quarta-feira (28), acumulando o oitavo dia consecutivo de valorização e alcançando os níveis mais elevados desde 2022. O movimento é impulsionado principalmente pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, além de incertezas envolvendo grandes produtores globais.
Escalada do petróleo reflete cenário geopolítico
Os contratos do petróleo tipo Brent, referência global, avançavam significativamente durante a tarde, com cotação próxima de US$ 118,94 por barril. Mais cedo, chegaram a atingir US$ 119,68, o maior patamar desde junho de 2022. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, também registrava alta expressiva, sendo negociado a cerca de US$ 106,79.
A valorização do petróleo ocorre em um momento de instabilidade internacional, especialmente diante do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O cenário ganhou novos contornos após declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que elevou o tom contra o governo iraniano em publicações recentes.
Tensões entre EUA e Irã aumentam incertezas
Segundo informações da imprensa internacional, o governo dos Estados Unidos avalia negativamente propostas apresentadas pelo Irã para encerrar o conflito em curso. A expectativa é de que uma resposta oficial seja divulgada nos próximos dias, o que mantém investidores em alerta.
Por outro lado, o governo iraniano condicionou a retomada do tráfego de navios comerciais no Estreito de Ormuz ao fim definitivo das hostilidades envolvendo Estados Unidos e Israel. A passagem pela região é considerada estratégica para o escoamento global de petróleo e gás natural liquefeito.
Saída dos Emirados Árabes da Opep impacta mercado de petróleo
Outro fator que contribui para a volatilidade no mercado de petróleo é a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a aliança Opep+. A saída está prevista para entrar em vigor a partir de 1º de maio.
Decisão estratégica gera repercussão internacional
O ministro de Energia dos Emirados, Suhail Mohamed al-Mazrouei, afirmou que a medida foi tomada após uma análise das políticas energéticas do país. Segundo ele, a decisão não foi discutida previamente com outras nações, incluindo a Arábia Saudita, principal liderança do grupo. A saída do país, membro da Opep desde 1967, ocorre em um momento delicado para o mercado global, marcado por uma crise energética intensificada pelos conflitos na região do Golfo.
Estreito de Ormuz segue como ponto crítico
O Estreito de Ormuz permanece no centro das preocupações do mercado. A região é responsável pela passagem de cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado mundialmente. Nos últimos dias, relatos de ameaças e ataques a embarcações aumentaram os riscos para o fluxo de exportações.
Apesar do cenário, autoridades dos Emirados Árabes Unidos avaliam que a saída do país da Opep não deve provocar impactos significativos adicionais no mercado, considerando que as exportações já enfrentam limitações devido às tensões na região.
Importância do Brent para o mercado brasileiro
O petróleo tipo Brent, amplamente utilizado como referência internacional, tem papel fundamental na definição dos preços de combustíveis no Brasil. A Petrobras utiliza essa classificação para ajustar valores no mercado interno. Extraído principalmente no Mar do Norte, o Brent é considerado um petróleo leve e com baixo teor de enxofre, características que facilitam seu refino e aumentam seu valor comercial.

