A atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao crime organizado tem resultado em milhares de prisões nos últimos anos, com foco predominante em duas das maiores facções criminosas do país. Levantamento divulgado nesta segunda-feira (1º) aponta que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) estiveram envolvidos em 88% das ações que culminaram em detenções realizadas pela corporação desde 2022.
Os dados revelam a dimensão da presença dessas organizações criminosas nas investigações federais e mostram como elas concentram grande parte dos esforços das autoridades de segurança pública em todo o território nacional.
Prisões concentram-se em integrantes do PCC e do Comando Vermelho
De acordo com o levantamento, embora a Polícia Federal mantenha investigações relacionadas a mais de 20 organizações criminosas e duas milícias, PCC e Comando Vermelho continuam sendo os principais alvos das operações conduzidas pela instituição.
Os números indicam que quase nove em cada dez detenções efetuadas pela PF desde 2022 tiveram ligação com integrantes dessas duas facções. O cenário evidencia a relevância que ambas possuem dentro do panorama do crime organizado brasileiro.
As informações também mostram que as organizações criminosas ampliaram sua influência nos últimos anos, tornando-se protagonistas em diversas atividades ilícitas investigadas pelas autoridades federais.
Tráfico de drogas lidera investigações da Polícia Federal
Entre os crimes apurados pela Polícia Federal, o tráfico de drogas permanece como a principal frente de atuação das facções criminosas. Segundo os dados apresentados, essa prática esteve presente em 81% das investigações conduzidas pela corporação. O tráfico continua sendo apontado como uma das principais fontes de receita dessas organizações, permitindo a expansão de suas operações e o fortalecimento de suas estruturas em diferentes regiões do país.
Outros crimes também estão sob investigação
Além do combate ao narcotráfico, a Polícia Federal atua em investigações relacionadas a diversas outras modalidades criminosas. Os inquéritos analisam suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e crimes ambientais atribuídos a integrantes de organizações criminosas.
Essas ações demonstram que a atuação das facções vai além da comercialização ilegal de entorpecentes, abrangendo atividades voltadas à movimentação e ocultação de recursos financeiros obtidos de forma ilícita.
Expansão territorial das facções preocupa autoridades
Outro aspecto destacado pelo levantamento é o alcance geográfico das organizações criminosas. Mais da metade das prisões registradas pela Polícia Federal envolveu suspeitos que atuavam em mais de um estado brasileiro. O dado reforça a capacidade de articulação interestadual das facções e evidencia os desafios enfrentados pelos órgãos de segurança para combater estruturas criminosas que operam simultaneamente em diferentes regiões do país.
A presença dessas organizações em diversos estados exige ações integradas entre forças de segurança federais e estaduais, além de mecanismos que facilitem o compartilhamento de informações e estratégias de enfrentamento.
Segurança pública ganha destaque nas ações do governo
O avanço do crime organizado transformou a segurança pública em um dos temas centrais do debate nacional. Diante desse cenário, o governo federal lançou, em fevereiro deste ano, o programa Brasil contra o Crime Organizado. A iniciativa foi apresentada como uma das principais estratégias da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar o combate às organizações criminosas. O programa prevê investimento direto de R$ 1 bilhão no Orçamento de 2026.
Além disso, foi anunciada a disponibilização de até R$ 10 bilhões em financiamentos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estados que aderirem às medidas previstas no programa. O pacote também inclui regulamentações implementadas por meio de decreto e portarias, além de dispositivos relacionados à chamada Lei Antifacção.
PEC da Segurança Pública ainda aguarda avanço no Congresso
Paralelamente ao lançamento do programa federal, o governo busca avançar com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A proposta tem como objetivo ampliar a coordenação nacional das ações de combate ao crime organizado e fortalecer a integração entre os diversos órgãos de segurança do país.
Entretanto, o texto ainda não foi colocado em pauta para votação no Senado Federal. A demora tem sido associada a divergências políticas envolvendo integrantes do governo e setores do Congresso Nacional. Além disso, governadores e parlamentares da oposição manifestaram preocupações relacionadas à possibilidade de ampliação da participação da União em competências tradicionalmente exercidas pelos estados na área da segurança pública.
EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Outro tema que ganhou repercussão recente foi a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida foi anunciada na última semana e difere da posição adotada pelo governo brasileiro. Autoridades brasileiras sustentam que as facções possuem finalidade predominantemente econômica e financeira, sem características ideológicas que normalmente definem grupos classificados como terroristas.
A decisão norte-americana ocorreu após encontros envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio. Durante as discussões, foi defendido o enquadramento das facções brasileiras nessa categoria.

