A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (18) mais uma etapa da Operação Compliance Zero e incluiu o senador Jaques Wagner (PT-BA) entre os investigados alcançados pelas medidas judiciais autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar, que atualmente exerce a função de líder do governo no Senado, foi alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido pelos agentes federais.
A nova fase da investigação mobilizou equipes em diferentes regiões do país e busca aprofundar a apuração de supostos crimes relacionados a corrupção e movimentações financeiras consideradas suspeitas pelas autoridades.
Operação da PF cumpre mandados em três unidades da federação
Por determinação do STF, foram autorizados 18 mandados de busca e apreensão executados simultaneamente na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Segundo os investigadores, a operação está voltada à apuração de possíveis práticas de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A ação faz parte de um conjunto de diligências que vem sendo realizado pela Polícia Federal para reunir documentos, registros e outros elementos considerados relevantes para o andamento das investigações.
Embora a operação tenha alcançado o senador baiano, não houve divulgação de acusação formal contra ele até o momento. As buscas têm como objetivo coletar informações que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos investigados.
Relação de Jaques Wagner com investigação já havia sido citada anteriormente
O nome de Jaques Wagner já havia aparecido em etapas anteriores relacionadas ao chamado caso Master. Na ocasião, informações da investigação apontaram que a nora do senador recebeu valores que somam pelo menos R$ 11 milhões por meio da BK Financeira, empresa da qual é proprietária.
Quando o assunto veio a público, Wagner afirmou não ter qualquer participação em negociações envolvendo a empresa citada. O senador também declarou que desconhecia a existência de investigação relacionada ao caso e negou ter atuado em qualquer tipo de intermediação em favor da companhia.
As autoridades continuam analisando documentos e movimentações financeiras para verificar a eventual existência de irregularidades ligadas ao esquema investigado.
Augusto Lima também foi alvo das medidas judiciais
Além do senador, a operação atingiu imóveis e empresas vinculados ao empresário Augusto Lima. As ações ocorreram nos mesmos estados onde foram cumpridos os demais mandados, incluindo a capital federal.
Lima possui histórico de ligação empresarial com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com as informações apuradas, ele participou da implantação de um sistema de crédito consignado destinado a servidores públicos durante a administração de Wagner no governo da Bahia.
Sistema de crédito se tornou ativo relevante do Banco Master
O modelo de crédito desenvolvido naquele período passou posteriormente a integrar os negócios do Banco Master por meio do Credcesta. O produto se tornou um dos principais ativos da instituição financeira e figura entre os pontos analisados pelos investigadores na atual etapa da operação.
A Polícia Federal busca identificar a origem de recursos, a participação dos envolvidos e possíveis conexões entre empresas, contratos e operações financeiras sob suspeita.
Trajetória política de Jaques Wagner
Jaques Wagner é considerado um dos principais aliados políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro do Partido dos Trabalhadores. A relação entre os dois remonta aos movimentos sindicais da década de 1980, período em que ambos atuavam em defesa de pautas trabalhistas.
Ao longo de sua carreira política, Wagner ocupou cargos de destaque nos governos petistas. Durante a primeira gestão de Lula, comandou os ministérios do Trabalho e das Relações Institucionais. Posteriormente, foi eleito governador da Bahia por dois mandatos consecutivos.
Mais tarde, integrou o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, assumindo os ministérios da Defesa e da Casa Civil. Atualmente, exerce mandato no Senado Federal e atua como líder do governo na Casa Legislativa.

