*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Os bastidores políticos na Câmara Municipal de Cuiabá ferveram na manhã da última quinta-feira, dia 21 de maio. Em entrevista coletiva à imprensa, a atual presidente do Legislativo cuiabano, Paula Calil (PL), subiu o tom e acusou abertamente um grupo de vereadores de tentar cercear o direito democrático dela de disputar a reeleição para o comando da Casa de Leis.
O estopim da crise é uma movimentação de bastidores para alterar o Regimento Interno da Câmara, que atualmente veda a recondução imediata para o mesmo cargo na Mesa Diretora dentro da mesma legislatura. A eleição oficial está marcada para acontecer em agosto.
O DESAFIO DO PLENÁRIO
Durante a coletiva, Paula Calil rechaçou as críticas de que estaria agindo por vaidade política e lançou um desafio direto aos pares para que derrubem a proibição regimental e testem a força política no voto.
“Por que agora estão cerceando um direito democrático, legal, de que eu possa concorrer à reeleição? Porque é uma vedação que os vereadores estão fazendo. Faço esse desafio: aprovem a alteração do regimento interno dessa Casa, tirando essa vedação, e vamos para a disputa. Isso é democracia, isso é legal e legítimo”, disparou a presidente.
Calil argumentou que abrir o regimento não significa definir o vencedor, mas sim garantir a igualdade de condições na disputa. Ela também contextualizou a resistência dos colegas sob a ótica da representatividade feminina.
“Se eu sentasse na cadeira de presidente e já quisesse pautar uma alteração para poder concorrer, eu estaria com sede de poder. E não é isso que acontece. Esses posicionamentos estão tirando o meu direito de ter a oportunidade de disputar. Em entrevistas, eles falam assim: ‘Quem sabe para uma próxima’. E por que não agora? Por que estão tirando esse direito? Fica essa pergunta. Luto pela oportunidade de poder disputar. Como mulher, eu estou lutando para que a gente tenha a oportunidade de disputar em igualdade”, completou.
FOGO AMIGO E A BUSCA POR 18 VOTOS
A polêmica ganha contornos ainda mais complexos porque o principal adversário de Paula Calil na disputa interna pelo comando da Mesa Diretora é um correligionário: o vereador Dilemário Alencar (PL), que também articula viabilizar seu nome para o comando do parlamento em agosto.
Até o momento, não há nenhum projeto protocolado oficialmente na Secretaria Geral da Casa para alterar o Regimento Interno. No entanto, intensas conversas de bastidores estão em andamento. Para conseguir aprovar a emenda regimental e liberar a reeleição, Paula Calil precisa reunir o apoio de uma maioria qualificada de 18 votos entre os 27 parlamentares da Casa.
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